01/09/2020 às 12:28 – Por Marina Jacinto/Professora 

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Marina Jacinto/Divulgação

Em se tratando de inovação na área da educação, que tem como grande expoente as metodologias ativas, existem dois conceitos chave que precisam ser citados ao iniciar qualquer  descrição acerca do tema em tela: aprendizagem ativa e aprendizagem híbrida. Embora ainda não exista uma definição consensual a respeito da aprendizagem ativa, podemos dizer que é o tipo de aprendizagem que torna os alunos engajados em tópicos como discussões ou resoluções de problemas, que visam promover análise e avaliação do conteúdo estudado, dentro de um contexto que faça sentido para o aluno. Já a aprendizagem híbrida é aquela que destaca uma mistura não somente entre ambientes virtuais e presenciais, mas também entre materiais e tecnologias.

Esses dois conceitos são a base para que possamos entender as metodologias ativas enquanto estratégias de ensino, já que ambos também nos remetem à ideia de uma maior participação do estudante no processo de ensino-aprendizagem e é a partir desta ideia, que podemos construir o seu conceito. Moran (2018) as descreve como “…estratégias de ensino centradas na participação efetiva dos estudantes na construção do processo de aprendizagem de forma flexível, interligada e híbrida”, sendo a aprendizagem flexível aquela que se adapta ao estilo de aprendizagem do aluno, interligada no sentido de ser compartilhada e híbrida, que mistura ambientes presenciais e online.

Podemos ainda destacar três palavras chave para entendermos as metodologias ativas: compartilhar, orientar e personalizar. O compartilhar é advindo de estudos em neurociência que comprovam que nosso cérebro aprende melhor em rede. Esse compartilhamento tem que acontecer com os 3 pilares da escola (alunos, professores e instituição) interagindo sempre dentro de contextos reais. O orientar faz sentido quando envolvemos profissionais mais experientes, outros professores ou até um aluno com mais experiência. E por último, a palavra personalizar, que trata da construção de trilhas de aprendizagem que façam sentido para os alunos, indo ao encontro das necessidades e dos interesses deles para desenvolver o seu potencial.

Todo esse percurso levanta quatro benefícios principais: protagonismo estudantil, visão crítica do mundo, habilidades socioemocionais e autonomia. Existem várias metodologias ativas famosas, como por exemplo a sala de aula invertida e a gamificação, porém abaixo vamos falar sobre 3 metodologias, sendo as duas primeiras famosas também, porém pouco exploradas e a última que é novíssima no campo das MA: estamos falando da aprendizagem baseada em projetos, da rotação por estações e da STEAM.

Aprendizagem baseada em projetos… Na aprendizagem baseada em projetos, que em inglês é conhecida como PBL (Project Based Learning) em Português como ABP, os alunos trabalham o senso crítico e o pensamento criativo através da realização de uma tarefa ou desafio, visando a resolução de um problema ou o desenvolvimento de um projeto que faça sentido dentro do contexto no qual os discentes estejam inseridos. A avaliação é formativa e contínua, realizada perante o desempenho dos participantes nas atividades e na entrega dos projetos.

Para que a ABP seja operacionalizada, é necessário que alguns passos sejam seguidos: reflexão, feedback, autoavaliação, avaliação por pares, discussão com outros grupos e atividades que visem a melhoria das ideias são frequentemente aplicados, além da preocupação na entrega de um produto, que não precisa ser concreto, podendo ser uma campanha, uma ideia, uma teoria e etc. Segundo Filantro (2018), na ABP os estudantes “são vistos como sujeitos mais autônomos, que têm capacidade de assumir responsabilidades e definir seu âmbito de atuação no projeto”.

“Esses dois conceitos são a base para que possamos entender as metodologias
ativas enquanto estratégias de ensino”

A chave dessa aprendizagem é o trabalho coletivo e existem vários modelos de implementação tais como o exercício – projeto, que é aplicado em uma única disciplina, o componente – projeto, que é desenvolvido enquanto atividade acadêmica, sem estar articulado a nenhuma disciplina, a abordagem – projeto, que é interdisciplinar e o currículo – projeto, que não permite a identificação da estrutura de disciplinas. Moran (2018) também tipifica os projetos por função e por níveis. Rotação por estações. O Ensino híbrido é um modelo de ensino que mescla atividades online e offline, realizadas através das chamadas TDICs (Tecnologias digitais de informação e comunicação). De acordo com Bacich, Neto e Trevisani (2015), dentro desse tipo de ensino, existem quatro modelos de aplicação: 1. Rotação, 2. Flex, 3. À la carte e 4.

Virtual enriquecido. Dentro do modelo de rotação, temos a rotação por estações, na qual os estudantes são organizados em grupos, que realizam diferentes tarefas em ambientes chamados “estações”, que precisam contemplar diferentes estilos de aprendizagem, tendo a obrigação de disponibilizar uma estação mediada pela tecnologia, para assim atender à proposta híbrida.

Na rotação por estações, os alunos devem trabalhar durante a aula com um mesmo tópico, entretanto, este tópico deve ser apresentado em diferentes formatos, para queo aluno possa praticar diversas habilidades. Os formatos podem ser: leitura, escrita, vídeos, podcasts, jogos, entre outros, buscando a personalização do ensino, visto que nem todos os estudantes aprendem da mesma maneira. As atividades devem ser planejadas visando um revezamento que funcione de maneira independente, porém integrada, já que os alunos devem passar por todas as estações até o final da atividade.

STEAM… Sigla em inglês para ciências, tecnologia, engenharia, artes e matemática, é uma metodologia ativa que proporciona a vivência do pensamento crítico, aprofundando-o de maneira mais reflexiva e interpretativa. Em sua proposta original, ela se integra com a aprendizagem baseada em projetos e com a aprendizagem baseada em desafios, instigando a interação com o mundo em busca de desenvolvimento de conceitos, testes de ideias, proposição de hipóteses e explicações para a criação de soluções e produtos a partir de problemas inicialmente propostos (KRAJCIK; BLUMENFELD, 2006). A STEAM também visa o protagonismo estudantil e a liderança.

Nessa metodologia, as áreas são trabalhadas de maneira transdisciplinar, procurando incentivar a curiosidade, a participação a ativa e a criatividade. Ela possui um viés tecnológico, mas também demanda um alto desenvolvimento profissional dos professores para a construção da conexão entre os conteúdos das áreas relacionadas (LORENZIN; ASSUMPÇÃO & BEZERRA, 2018). Para operacionalizar a STEAM, são necessários os seguintes passos: 1. Investigar, 2. Descobrir, 3. Conectar, 3. Criar e 4. Refletir. Para a execução desse plano, o professor deve atuar como um mediador de conhecimento, que está em contato constante com novas TDICs e a instituição de ensino deve fornecer espaços maker.

Nesses tempos de pandemia, nos quais estamos sendo obrigados a vivenciar a escola eos seus conteúdos de forma remota através da tecnologia, as metodologias ativas podem ser a saída para que professores e alunos possam interagir melhor com os conteúdos trabalhados, melhorando o processo de ensino – aprendizagem online. Marina Jacinto da Silva Oliveira

Marina Jacinto da Silva Oliveira
Profª do IFPE, Mestranda em Educação tecnológica pelo EDUMATEC/UFPE

Este espaço tem como titular o Dr. Elexsandro Araújo. A página é compartilhada também com os colegas que assim como ele, atuam na área da Saúde, entre outras profissões.

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Dr. Elexsandro Araújo é Fisioterapeuta, Especialista em Saúde do Idoso, Diretor Clínico da EA Terapias Integradas HOME, Professor, Palestrante, Escritor, Colunista e Cantor.

Contato: elexsandroaraujo@outlook.com
Instagram: @elexsandroaraujo

Referências
BACICH, L. ; NETO, A. T.; TREVISANI, F. M. (Org.) . Ensino híbrido: personalização e
tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015.

FILANTRO, A.; CAVALCANTI, C. C. Metodologias Inov-ativas na educação presencial, à
distância e coorporativa. 1 ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018.

KRAJCIK, J. S.; BLUMENFELD, P.C. Project – based learning. In: SAWYER,R.K. (Ed.). The
Cambridge Handbook of the learning sciences. Cambridge: Cambridge University Press,
2006.

LORENZIN, M.; ASSUMPÇÃO, C. M.; BIZERRA, Alessandra. Desenvolvimento do currículo
STEAM no ensino médio: a formação de professores em movimento. In: BACICH, L.. MORAN, J.

(Org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico – prática.

Porto Alegre: Penso, 2018.
MORAN, J. Metodologias ativas para uma aprendizagem mais profunda. In: BACICH,
L. MORAN, J. (Org.) Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem
teórico – prática. Porto Alegre: Penso, 2018

STEAM: o que você não sabia sobre essa Metodologia Ativa de Aprendizagem. Faz
educação & tecnologia, 2019. Disponível em:
<https://www.fazeducacao.com.br/post/steam-metodologia-ativa-de-aprendizagem&gt; .
Acessado em: 21 de Ago. de 2020.