15/08/2020 às 10:32 – Por Elexsandro Araújo / Colunista Blog do Andros

Na entrevista desta edição, recebo o renomado consultor de moda internacionalmente conhecido e escritor, Reginaldo Fonseca

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Reginaldo Fonseca/Divulgação

Elexsandro Araújo: Reginaldo Fonseca, o que lhe motivou a entrar no mundo da moda?

Reginaldo Fonseca: Primeiro quero agradecer e dizer que fico muito feliz por participar desta entrevista! Ingressar no mundo da moda foi uma coisa casual, poderiam pensar, mas sabemos que não há casualidade, não é mesmo? Isso porque, no passado, nunca tinha pensado em trabalhar com moda. Queria ser psicólogo e estava começando a estudar Psicologia, quando, no final dos anos 1980, fui a uma palestra com um amigo. Lá, conheci uma pessoa muito importante do meio fashion daquela época e após a palestra, comecei a conversar com ele. No dia seguinte, já estava trabalhando como assistente dele. Na sequência, montei minha empresa – a Cia Paulista de Moda – em São Paulo mesmo e, poucos anos depois, me mudei para São José dos Campos, onde fui com uma empresa grande, que tinha de tudo: consultoria, evento, produção, agenciamento de modelos, beleza, loja… tudo voltado a esse setor. E, assim, começamos a atender os shopping centers. Fomos pioneiros a levar a moda diretamente para o consumidor final e as mais importantes celebridades brasileiras para os eventos dentro dos shoppings. Teve ano em que chegamos a fazer 80 desfiles/eventos pelo Brasil todo, informando uma multidão de pessoas e gerando bilhões em negócios para a moda nacional. Finalmente, há cerca de dez anos, entramos no mercado internacional, começando por Portugal e, depois, Angola, Peru, Dubai, Londres, França… Hoje, fazemos consultorias, mentorias e eventos no Brasil e em muitas outras localidades.

Dentre as experiências vividas internacionalmente, qual foi a mais impactante positivamente na sua vida profissional?

Na realidade, cada trabalho é um trabalho. Cada um tem o seu caminho, os seus acertos, erros e tudo mais. Porém, o evento que mais me fez crescer como pessoa e como profissional certamente foi o Angola Fashion Week. Lembro-me claramente de quando eles me chamaram para fazer a primeira edição, assinando a produção geral e a direção. Fiquei até meio na dúvida, porque fazer um trabalho em Angola, na África, significava levar cerca de 60 pessoas daqui e transportar toda uma estrutura do Brasil, já que eles não produzem nada lá. Trabalhar com as pessoas locais também era uma coisa que me deixava inseguro, mas foi um sucesso! Já na primeira edição, fizemos algo fenomenal, incrível e gigantesco. Com certeza, o AFW é um dos maiores e mais bem produzidos eventos da Cia Paulista de Moda. Sob a minha direção, na primeira edição, já conseguimos colocá-lo no calendário da moda internacional. Foi um “boom”. Levamos grifes internacionais importantes à passarela: marcas europeias, africanas e brasileiras. Fizemos com que o Angola Fashion Week se tornasse um dos maiores eventos da África, se não for o maior. Foi um grande acontecimento, um enorme laboratório e isso me motivou muito a continuar no mercado internacional. Fico muito feliz e tenho um prazer imenso de fazer parte da família AFW, podendo levar a moda para aquelas pessoas que gostam tanto desse segmento e que são apaixonadas por roupa.

Ouvimos muito a frase: “O mundo da moda é muito difícil. Delicado de se conviver”. Você, o que acha?

Trabalho há mais de três décadas neste mercado e claro que construí toda uma história dentro do meu trabalho, mas essa trajetória não foi fácil. Trabalhar com moda não é como as pessoas acham ou querem que seja, como muitos que buscam o curso de Moda acreditam ser… O universo fashion definitivamente não é só movido a glamour, como muitos pensam. Por isso, trabalhar nesse meio não é tão simples assim. Sempre digo: “difícil não é colocar o nome no mercado, mas, sim, fazê-lo permanecer por muito tempo”.

Como se sente sendo um dos nomes mais citados no mundo da moda?

É claro que fico muito feliz quando vejo meu nome sendo citado em alguma revista, por algum expert. Ou quando pessoas que trabalham no ramo falam do quão incrível é o meu trabalho, no sentido do resultado que ele traz aos meus clientes. Isso, com certeza, me deixa muito feliz, de verdade, quando me colocam entre os grandes profissionais da moda brasileira. Mas, no meu íntimo, não tenho essa vaidade de querer ser o melhor. Tomo sempre muito cuidado com o ego. O que quero é levar informação de moda a todos e gerar grandes negócios as marcas e empresas do setor.

“Queria ser psicólogo e estava começando a estudar Psicologia, quando, no final dos anos 1980, fui a uma palestra com um amigo”

Hoje, você tem em sua conta do Instagram mais de 200 mil seguidores, inclusive, tendo a sua conta verificada. Como é lidar e trazer conteúdos que influenciem de certa forma esse público gigante?

Todos nós somos influenciadores, sem exceção alguma. Se você tem mil seguidores ou cinco milhões, não importa, você está influenciando de alguma forma. Todos estão de olho no que veste, o que come, como corta o cabelo, como se comporta, o que faz, na sua atitude e personalidade… Tudo isso faz com que a gente influencie o mundo! Claro que ter bastante seguidores é uma grande responsabilidade. Tenho que analisar sobre o que vou falar, vestir, mostrar. Mas, no meu caso, o Instagram é muito pessoal. Ele não é uma conta profissional, diferente da minha Fanpage. No Instagram, falo um pouco de tudo, dentre as coisas que as pessoas gostam de saber. Falo das minhas viagens, da minha família, do meu dia a dia, do que como, do que gosto e falo da grande maioria dos meus projetos (pois tem alguns que, por questão contratual, não posso contar antes do tempo). Definitivamente, não mostro só o que é belo, muito pelo contrário, até porque tento ver a vida com uma beleza muito ampla. E não tenho essa coisa de “hoje vou postar porque estou feliz”. Não! Vou postando coisas conforme o meu dia vai acontecendo e que considero relevantes. Tenho o propósito de que aquilo possa, de alguma forma, ajudar alguém. Quero sempre emitir informações corretas para o maior número de pessoas.

Lançou o livro “Vivendo e se Transformando”. Como tem sido essa fase da sua vida como escritor? Qual o objetivo da sua obra literária?

Na realidade, o “Vivendo e se Transformando” é meu segundo livro. Isso porque, em 2012, lancei o primeiro, que foi uma edição super limitada, de seis mil exemplares somente, em comemoração aos 25 anos da minha empresa, a Cia Paulista de Moda. Na época, fiz quase 100 palestras pelo Brasil e as pessoas que me assistiam eram presenteadas com esse livro, que tinha a distribuição gratuita. Já o “Vivendo e se Transformando” começou a ser escrito no final de 2016. Eu estava em uma viagem na China, no trajeto de Guangzhou para Pequim, durante o qual ficaria dez horas dentro de um trem. Eu já estava viajando havia dois meses, porque tinha passado por outros países, e estava bem cansado. E era a época do meu aniversário, do meu inferno astral e por isso, estava um pouco agoniado e pensei: “O que vou ficar fazendo por dez horas?”. Como tento sempre ocupar o meu tempo, trabalhando num projeto ou numa ideia, a resposta surgiu: “vou escrever meu próximo livro”. Na época, eu tinha escrito vários textos para as minhas redes sociais, que sempre tiveram um impacto legal e ajudavam as pessoas. Então, decidi pegar alguns daqueles textos e escrever o livro. E ali eu comecei a desenhá-lo. É um livro totalmente pessoal, que não tem nada a ver com a empresa de moda. O objetivo dele é a autoajuda, o autoamor, a autoaceitação e, também, sobre coisas que são importantes, como o amor que temos que ter pelo mundo, pela vida, sobre a nossa humildade, a gratidão e tudo mais. Hoje, o livro é um sucesso de venda, graças a Deus. As pessoas, às vezes, falam desses “dois Reginaldos”: o da Moda e o da Autoajuda. Pois é! Sempre digo que alguém pode até estar super bem vestido, mas se não estiver bem internamente, de nada vai adiantar. Então, é um conjunto de coisas… A beleza real vem de dentro de cada ser humano.  Também aproveito para contar que já finalizei o meu próximo livro, que vai se chamar “Além da Moda”, cujo lançamento aconteceria agora, mas devido ao momento que estamos vivendo, ficou para ser lançado somente em 2021. Esses dois últimos livros são da DVS Editora. Na verdade, escrever faz parte de mim, porque escrevo muito o dia todo. Seja um e-mail, uma mensagem, detalhes de uma reunião ou um artigo para uma revista da qual sou colunista. Posso estar preparando uma mentoria para um cliente ou fazendo um E-book. Então, amo escrever. Escrevo um monte de coisas, sem filtro, depois até me perco para passar tudo para o computador (risos). Acredito fielmente que uma palavra pode mudar uma vida, imagine milhares de palavras juntas! Já plantei muitas árvores, já escrevi três livros, só não tenho filhos ainda, mas tenho sobrinhos que amo tanto. Sinto-me realizado!

Reginaldo Fonseca versus Moda é…

O Reginaldo é um ser humano inserido dentro de uma grande estrutura, que trabalha com projetos para um sistema poderosíssimo e glamouroso, que se chama Moda. Nada mais, nada menos do que o segundo maior setor que mais emprega e rende no mundo. Obviamente, trabalho com pesquisas e com o comportamento das pessoas. Portanto, tento ver tudo o que está acontecendo em relação ao indivíduo para poder traduzir e levar isso para a moda. Muitos acham que a moda é só aquela roupa que está na vitrine, na arara ou no guarda-roupa. Não! A moda tem uma ligação gigantesca com a nossa forma de ser, de estar e de vestir. Fazer uma composição dentro de todas essas coisas não é tão simples. É necessário ter olho clínico, pesquisar, estar envolvido no meio e ter uma visão muito clara de todo esse poderoso segmento. Então, “Reginaldo versus Moda” é mais ou menos isso: uma pessoa que se funde com o profissional que trabalha muito, que pesquisa e que luta para que as pessoas mudem o seu comportamento para melhor, adquirindo cultura em relação a esse universo tão mágico e tão importante nas nossas vidas que é a Moda.

@reginaldofonseca

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Dr. Elexsandro Araújo é Fisioterapeuta, Especialista em Saúde do Idoso, Diretor Clínico da EA Terapias Integradas HOME, Professor, Palestrante, Escritor, Colunista e Cantor.

Contato: elexsandroaraujo@outlook.com
Instagram: @elexsandroaraujo