Dr. Marcel José é fisioterapeuta e pleiteante sobre inteligência emocional

05/08/2020 às 17:44 – Por Elexsandro Araújo / Colunista Blog do Andros

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Marcel José/Divulgação

Elexsandro Araújo: Marcel, conta-nos há quanto tempo exerce a profissão de fisioterapeuta e, a partir de quando começou a praticar de forma enfática sua fala sobre inteligência emocional.

Marcel José: Sou Fisioterapeuta há mais de 10 anos, atuando principalmente na reabilitação de doenças crônicas e ocupacionais. Venho buscando há um certo tempo algo a mais para meus pacientes, na prática clínica em conjunto com os profissionais de Psicologia sempre tivemos excelentes resultados em comparação com os que só tratavam a dor. Isso me fez despertar para essa relação emoção-doença, o quanto que a história de vida das pessoas e como elas encaravam a realidade de mundo, poderia influenciar no corpo físico. Foram muitas histórias nesses 10 anos, que me fez primeiramente começar a olhar pra mim mesmo, como eu me via no futuro dentro dos meus significados de mundo. foi assim que conheci a inteligência emocional, passei a ressignificar minha vida encontrando um outro contexto para minha realidade de mundo.

Dentro desse contexto sobre inteligência emocional, você acredita que há influência direta no tratamento dos pacientes? No processo de reabilitação?

Sim, ao longo desses anos posso afirmar que muitos dos pacientes que atendi principalmente entre 70 e 90 anos sempre me relatavam o quanto gostariam de que a vida pudesse ter sido diferente. Hoje acredito que nossa realidade de mundo pode estar diretamente conectada com as doenças crônicas músculoesqueléticas que adquirirmos durante a vida. Nosso corpo físico traduz muito do que pensamos e de como lidamos com as nossas emoções. Acredito que ter uma inteligência emocional aprendendo a ressignificar a realidade de mundo e criar novas estratégias para encarar nossas emoções pode influenciar diretamente no processo de reabilitação.

Inteligência emocional é um estilo de vida? Todos podem obter essa inteligência?

Não considero um estilo de vida, pois entendo que todos nós já possuímos certa inteligência emocional. Penso que é uma forma diferente de ver o mundo, ressignificando o passado e viver o presente dando novos significados para o futuro. Porém já fazemos isso instintivamente e é a partir daí que criamos nossa realidade atual. Porém nosso cérebro não sabe distinguir a realidade da fantasia, então tudo que pensamos muitas vezes nosso cérebro entende como realidade e partir daí passamos a viver um mundo dentro das nossas percepções e não necessariamente na realidade existente. De acordo com o princípio de Gestalt (estudo da percepção humana em relação as formas), nosso cérebro tende a preencher os espaços vazios das nossas percepções para nos dar uma ideia de tudo de acordo com a nossa realidade e aprendizados únicos de cada um, ou seja: de acordo com os significados que damos as coisas.

“Nosso corpo físico traduz muito do que pensamos e de como lidamos com as nossas emoções”

Nos diga três dicas para buscar a inteligência emocional.

Buscar o autoconhecimento, se conectar com seu eu interior. Aprender a ressignificar suas percepções de mundo e criar novas estratégias para lhe dar com suas emoções, se colocando em ação.

Há fatores que podem atrapalhar esse processo de aprendizado na busca da inteligência emocional?

Sim, muitas vezes encontramos uma série de coisas que tentam nos impedir de progredir, são os famosos sabotadores, situações nas quais nos faz engatilhar memórias que nos impedem de dar um passo à frente, posso dar como exemplo uma pessoa que por vezes antes de um evento ao sentir algum tipo de emoção pode exceder-se na ingestão de doces compulsoriamente. Vamos criando vícios ao longo da vida que podem nos sabotar em nossas ações e para criar novos hábitos como estratégia pode-se evitar os lugares ou eventos que te sabotam até que possa aprender a lhe dar melhor com as emoções.

Deixe uma mensagem para nossos leitores.

No processo de autoconhecimento e Inteligência Emocional, por vezes, acessamos lugares profundos do nosso ser, que talvez não queríamos lembrar devido as crenças que formamos ao longo da vida. Porém acredito que na caverna mais profunda, no abismo mais denso, onde está aquele baú guardado a “sete chaves”, ao superá-los, podemos encontrar as riquezas mais valiosas de nossas vidas.

Marcel José, muito obrigado por sua brilhante participação!

@marcel.josedesouza

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Dr. Elexsandro Araújo é Fisioterapeuta, Especialista em Saúde do Idoso, Diretor Clínico da EA Terapias Integradas HOME, Professor, Palestrante, Escritor, Colunista e Cantor.

Contato: elexsandroaraujo@outlook.com
Instagram: @elexsandroaraujo