29/07/2020 às 14:26 – Por Dr. Paulo Melo/Fisioterapeuta

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Paulo Melo/Arquivo pessoal

Uma das perguntas mais frequentes nos consultórios de Fisioterapeutas, que envolve um misto de emoções, esperança, motivação, renúncia… momentos como este, Paulo, filho de Geiza (como sou conhecido no meu interior), precisa muito mais dos ensinamentos da vida, da família do que da técnica. Minha resposta SEMPRE será com embasamento científico, mas este momento é de acolhida.

Em milésimos de segundos, uma avalanche de responsabilidade chega à minha mente, a técnica agora é a humanização, pois suas próximas palavras neste diálogo, podem machucar (como já aconteceu, eu estava no meu primeiro estágio, uma paciente grave F.J.M., usuária de cadeira de rodas há 10 anos, sem prognóstico para andar, osteoporose severa, idade avançada, várias cirurgias de prótese de fêmur… em um dos atendimentos, ela me perguntou: Dr. Quando volto a andar? Eu não tinha aquela resposta, eu não sabia, falei que estávamos há dois meses em tratamento e ainda era muito cedo, precisávamos antes conseguir independência ainda na cadeira (ela não conseguia conduzir a cadeira, não conseguia sair da cadeira pra cama… Naquele momento eu não conseguia ver chance, eu não conseguia correlacionar o contexto social, as atividades funcionais, eu não havia traçado metas com ela… conhecer este processo, entende-lo é o elo que paciente e Fisioterapeuta precisam estabelecer no primeiro contato.

Hoje eu aprendi, eu sou o elo de esperança quando todos desacreditam) e não posso desistir, preciso ser sincero, preciso mostrar o que a ciência diz, e o que podemos fazer.

“Minha resposta SEMPRE será com embasamento científico, mas este momento é de acolhida”

Quantos “guerreiros” desacreditados com “pouca” chance para andar atendemos e lutamos incansavelmente (com repetição, de forma intensa e específica… esse tripé é o que promove a neuroplasticidade, uma coisa fantástica que o cérebro é capaz de fazer e de renovar nossa esperança) para vencer este diagnóstico? Quantas vidas cheias de esperança bate à nossa porta (ou a batemos) em busca desta função?

A ciência tem trabalhado duro, no desenvolvimento de pesquisas (técnicas, medicamentos…) e a nossa esperança só renova a cada resultado publicado.

A humanização não é técnica, é intrínseca e é necessária. Quando falamos que o Fisioterapeuta possui duas mãos e um coração entre elas, é de humanização que estamos falando, é o “poder” que minhas mãos junto com o amor, o respeito é capaz de transformar uma vida… Quem não tem uma história linda com seu Fisioterapeuta?

Este espaço tem como titular o Dr. Elexsandro Araújo. A página é compartilhada com os colegas que assim como ele, atuam na área da Saúde.

Dr. Paulo Melo/Fisioterapeuta – CREFITO 232102-F

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Dr. Elexsandro Araújo é Fisioterapeuta, Especialista em Saúde do Idoso, Diretor Clínico da EA Terapias Integradas HOME, Professor, Palestrante, Escritor, Colunista e Cantor.

Contato: elexsandroaraujo@outlook.com
Instagram: @elexsandroaraujo