23/07/2020 às 14:44 – Por Elexsandro Araújo / Colunista Blog do Andros

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Dra. Cinthia Vasconcelos é Fisioterapeuta. Professora associada da Universidade Federal de Pernambuco e membro da Coordenação Nacional da ABENFISIO, além de mentora da COGNITA Desenvolvimento Profissional. Agradeço imensamente o seu aceite para esta entrevista!

Elexsandro Araújo – Na condição de docente, como se sente em meio as perspectivas de ensino remoto?

Cinthia Vasconcelos – O sentimento é de muita incerteza para o cenário futuro e de muita preocupação com a qualidade da formação, especialmente nos cursos da área de saúde.

Você acha que os futuros profissionais da saúde, poderão ser prejudicados frente a essa condição de ensino?

Eu acredito que o prejuízo na formação da área de saúde será imenso. Quando falamos em formação, pensamos imediatamente na construção de Competências, que serão adquiridas ao longo dos anos de estudo. Preocupar-se apenas com o repasse de conhecimentos, é dar ao profissional só o saber. Na formação precisamos trabalhar também as habilidades (saber fazer) e também as questões atitudinais (ser).

“O sentimento é de muita incerteza para o cenário futuro e de muita preocupação com a qualidade da formação”

Fazer ciência em meio a pandemia tornou-se algo mais difícil?

Muito mais difícil. Esse é um momento em que as prioridades precisam ser identificadas e, na pesquisa, quando fazemos ciência, essa preocupação não pode ser diferente. A ciência desenvolvida pela fisioterapia sempre deve ser contextualizada, com relevâncias a serem defendidas, sejam elas quais forem. Na pandemia, a ciência voltada às questões clínicas, deve valorizar prioritariamente, o fortalecimento da efetividade da prática clinica nas disfunções ocasionadas ao COVID-19 ou mesmo para o fortalecimento do sistema de saúde, em especial, ao SUS. Pesquisas de outras naturezas, como as voltadas ao ensino e formação, por exemplo, precisam ter suas metodologias adaptadas a esta realidade, buscando instrumentos para coleta de dados que sejam seguros e confiáveis. Enfim, fazer ciência ficou mais difícil, mas não impossível.

Acredita que este cenário, ainda um tanto instável, pode trazer evoluções no que concerne a visão do docente para o aprendizado teórico/prático do acadêmico, seja ele presencial ou remoto?

Com certeza. Aprendizados que faríamos em décadas, nos foram oportunizados para acontecer em meses, desde que estejamos receptivos aos mesmos. Todo processo de dificuldade nos proporciona sempre uma riqueza de aprendizados, sejam eles positivos ou mesmo os negativos (o que não queremos perpetuar). É inevitável que reconheçamos que as tecnologias remotas de informação e de comunicação necessitam ser inseridas na formação, inclusive na de profissionais da área de saúde, mas com muita consciência e responsabilidade por parte dos docentes e, principalmente, das Instituições de Ensino Superior (IES). Ensino Remoto não é sinônimo de Ensino à Distância. Competências a serem adquiridas em aulas teóricas não são as mesmas das aulas práticas, principalmente as que envolvem as experiencias com pacientes, como é o caso de estágios curriculares obrigatórios.

“Eu acredito que o prejuízo na formação da área de saúde será imenso. Preocupar-se apenas com o repasse de conhecimentos, é dar ao profissional só o saber”

Enquanto docente, qual a sua mensagem para os futuros profissionais da saúde?

Minha mensagem é que cada uma dessas pessoas assumam suas responsabilidades nas escolhas que façam em suas vidas, principalmente no momento de escolher a IES em que cursará sua formação. Uma Formação de Qualidade em que o Desenvolvimento Profissional exista, é preciso que haja a associação com o amadurecimento pessoal e com a aquisição de habilidades comportamentais (que são as soft skills). Manter-se na zona de conforto, sem o confronto com as limitações individuais que possuímos, com certeza, não nos proporcionará a capacidade de sermos um profissional capaz de ter um olhar integral e sistêmico de nossos pacientes.

Muito grato por suas brilhantes e enriquecedoras  respostas!

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Dr. Elexsandro Araújo é Fisioterapeuta, Especialista em Saúde do Idoso, Diretor Clínico da EA Terapias Integradas HOME, Professor, Palestrante, Escritor, Colunista e Cantor.

Contato: elexsandroaraujo@outlook.com
Instagram: @elexsandroaraujo