22/07/2020 ás 12:08 – Por Marlon Bluner Teixeira/Fisioterapeuta

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Marlon Bluner. Foto: Divulgação

A Constipação Intestinal (CI) ou Obstipação Intestinal, é caracterizado pela dificuldade crônica ou aguda de defecação. Sendo objetivamente o óbice na eliminação do conteúdo fecal com frequência menor que 3x por semana, e/ou petrificação/endurecimento, com ou sem sensação de esgotamento incompleto do reto. (PENNA 1991).

“ANDRÉ 2000 et al”, considera um distúrbio caracterizado pela diminuição na frequência das evacuações em intervalos maiores que 48 horas, o que permite um aumento exacerbado na absorção de água pelas paredes do Cólon, deixando assim, as fezes duras e ressecadas.

Esta alteração causa desconforto e outros transtornos ao indivíduo. Ela é dita como um sintoma, e não uma doença. Esta, é certamente a queixa digestiva mais comum na população geral, sendo responsável por milhões de consultas médicas aos
hospitais no Brasil e no Mundo (COLLETE 2007). Existem vários fatores epidemiológicos de risco para o desenvolvimento de constipação como:

– Idade;
– Sexo Feminino;
– Baixo nível socioeconômico (fator esse ligado à uma pobre dieta alimentar)
– Baixo consumo de fibras alimentares;
– Mal estilo de vida (correlação com aumento no consumo de alimentos industrializados e com o sedentarismo)
– Aumento crônico da Pressão intra-abdominal (PIA) A modernização tecnológica alimentícia, tem introduzido e estimulado o consumo de alimentos refinados e com baixo teor de fibras vegetais, que muitas vezes estão contidas nas cascas de legumes e frutas.

Diante disso os países desenvolvidos possuem alta incidência de constipação intestinal, o que não era tão frequente no passado, caracterizando a (CI) como “doença da nova civilização”. Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), a constipação propriamente dita, pode ser um “alerta” para a saúde, pois aumenta à predisposição ao aparecimento de alguns cânceres colo-retais. A cronicidade dos sintomas, a falta de orientação terapêutica adequada e o uso abusivo de laxantes podem ter como consequências o surgimento de outros problemas como:

– Doença diverticular do cólon,
– Hemorroidas,
– Fissuras anais
– Fecalomas com impactação fecal (AMBROGINI 2001).

O intestino:

O intestino é um órgão de formato tubular que se estende desde o final do estômago até ao ânus, permitindo a passagem dos alimentos digeridos, facilitando a absorção dos nutrientes e a eliminação dos resíduos. Para fazer todo esse processo, o intestino tem cerca de 7 a 9 metros de comprimento. O intestino é uma das partes mais importantes do sistema digestivo e pode ser dividido em 2 partes principais:

Intestino delgado: É a primeira porção do intestino, que liga o estômago ao intestino grosso. É a parte mais comprida do intestino, com cerca de 7 metros, onde ocorre uma parte da absorção de água e grande parte de absorção dos nutrientes como: açúcares e aminoácidos.

Intestino grosso: É a segunda porção do intestino, apresenta cerca de 2 metros de comprimento. É a menor parte do intestino, mas a mais importante na absorção de água. Mais de 60% da água que nosso corpo precisa é absorvida no intestino grosso. Ao longo de todo o intestino, existe uma grande quantidade de bactérias (flora intestinal) que ajuda no processo digestivo do nosso corpo. Para manter uma flora intestinal saudável, deve-se apostar no consumo de probióticos, tanto através dos alimentos como de suplementação.

As posturas propostas no Método Abdominal Hipopressivo (MAH) têm como
objetivo trabalhar a mobilidade diafragmática. O diafragma é o músculo primário da respiração e tem ligação intima com os intestinos. Ligações essas através de cadeias musculares, fáscias e biomecânica. Quando esse músculo trabalha com menor esforço e com a pressão intra-abdominal normalizada ele potencializa a sua ação de massagear o mesocólon transverso e assim melhora a mobilidade visceral. Esse aumento da mobilidade facilitará o fluxo fecal prevenindo e/ou tratando da constipação intestinal.

Além disso a técnica (MAH) trabalha na reprogramação do córtex cerebral onde proporcionará um estimulo das cadeias miofasciais e das vias do sistema neurovegetativo. Onde acontecerá uma perfeita sincronia entre acetil colina (colinérgicos) e noradrenalina (adrenérgicos). Essas substâncias irão fazer ajustes neurodinâmicos afim de melhorar o funcionamento intestinal.

Um estudo recente mostra que cerca de 90% da serotonina existente no corpo humano é produzido no intestino (OLIVEIRA 2013). A serotonina é um neurotransmissor que atua diretamente no cérebro regulando o humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade e funções intelectuais e por isso, quando este hormônio se encontra numa baixa concentração, pode causar mau humor, dificuldade para dormir, ansiedade ou mesmo depressão. O MAH como visto acima, ajudará no funcionamento dos intestinos. O mesmo estudo proposto por Oliveira 2013, mostra que: quando o intestino funciona bem, temos menores riscos de ocorrências de ansiedade e de depressão.

Uma das formas de aumentar a concentração de serotonina na corrente sanguínea é consumindo alimentos ricos em triptofano, praticar exercícios físicos com regularidade e em casos mais severos, tomar remédios. Portanto, além da técnica MAH ser de extrema importância no tratamento da constipação intestinal é muito importante orientar o consumo de água, prática de atividades físicas e consultas médicas regulares.

Este espaço tem como titular o Dr. Elexsandro Araújo. A página é compartilhada com os colegas que assim como ele, atuam na área da Saúde.

Dr. Marlon Bluner Teixeira, Fisioterapeuta.
Crefito: 4/173704F

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Dr. Elexsandro Araújo é Fisioterapeuta, Especialista em Saúde do Idoso, Diretor Clínico da EA Terapias Integradas HOME, Professor, Palestrante, Escritor, Colunista e Cantor.

Contato: elexsandroaraujo@outlook.com
Instagram: @elexsandroaraujo


Referências:

Ambrogini Junior O, Miszputen SJ. Constipação intestinal crônica. In:
Borges DR, Rothschild HA, organizadores. Atualização terapêutica.
20ª Ed. São Paulo: Editora Artes Médicas; 2001. p. 411-3.
André SB, Rodriguez TN, Filho SPPM, Constipação Intestinal, RBM,
Dezembro 2000, V 57, N12
Collete VL; Araújo CL; Madruga SW. Prevalência e fatores associados
à constipação intestinal: um estudo de base populacional em Pelotas,
Rio Grande do Sul, Brasil, 2007
Instituto Nacional de Câncer. Incidência de câncer no Brasil,
2006. www.inca.gov.br/estimativa/2006
PENNA FJ, Torres MRF. Constipação intestinal. In Penna FJ, Wehba J,
Fagundes Neto U, eds. Gastroenterologia Pediátrica. 2ed. Rio de
Janeiro: Médsi; 1991; 341-18