21/07/2020 às 12:25 – Por Elexsandro Araújo / Colunista Blog do Andros

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A coluna está com um novo quadro. “De FRENTE com Elexsandro Araújo”, visa entrevistar famosos e anônimos, estudantes e profissionais, trazendo assim para este espaço conversas interessantes e ao mesmo tempo, descontraídas. Na primeira, uma com o estudante do último ano do curso de fisioterapia, Bruno Rodrigues, falando sobre o cenário atual dos acadêmicos diante da pandemia, das dificuldades, as aulas remotas, entre outros impactos causados pelo novo e lamentável coronavírus.

Elexsandro Araújo: Enquanto estudante do último ano do curso de fisioterapia, como se sente frente ao cenário atual?

Bruno Rodrigues: É um cenário conturbado e duvidoso, mas ao mesmo tempo interessante para quem está entrando no mercado de trabalho, porque precisou vir uma pandemia para que toda a área sofresse uma atualização, e quem tinha um maior domínio com as redes sociais e o uso da tecnologia acabou se destacando e de certa forma nivelando o mercado onde muitas vezes quem tinha mais espaço era quem tinha mais tempo de experiência.

Está conseguindo desenvolver suas atividades acadêmicas?

Particularmente sempre fui um estudante que usou as mídias sociais como um suporte para meus estudos, utilizando plataformas como Youtube, Sanarflix, Anatomyflix, entre outros. Onde sempre usei a dinâmica de estudar por videoaulas de professores com autoridade digital antes das aulas presenciais e utilizar este conteúdo durante as aulas presenciais para pontuar novidades, detalhes e tirar dúvidas. Como na faculdade onde estudo tivemos aulas via zoom com um formato que lembrava muito as aulas presenciais onde poderíamos intervir durante a aula, tirar dúvidas e os professores mantinham contato conosco via WhatsApp e Classroom pós-aula.

Em relação ao estágio acadêmico, como você se sente sem a realização dele?

De início eu discordei do formato, mas com o decorrer conseguimos construir juntos um estágio interessante, tivemos exposição ao sistema de tele atendimento onde alguns professores nos incluíam nas chamadas e podíamos opinar, discutíamos os casos e os professores tomavam a decisão final, tivemos aulas extras específicas levadas a prática, eu por exemplo, estou me especializando em fisioterapia neurológica e tive aulas incríveis sobre neuro imagens que é um dos assuntos que não teríamos em nossa ementa e nossa professora trouxe uma aula de pós-graduação pra nos apresentar, tiramos dúvidas durante os momentos de estágios, já passei por estágios presenciais nos últimos dois períodos.

“É um cenário conturbado e duvidoso, mas ao mesmo tempo interessante para quem está entrando no mercado de trabalho, porque precisou vir uma pandemia para que toda a área sofresse uma atualização”

Você acredita que mesmo estando perto do fim da graduação, a pandemia vem gerando danos relevantes na sua formação?

A minha em particular, não, pois desde o quarto período vim buscando me especializar em bons cursos com ótimas referências externas e nestes últimos períodos basicamente minhas disciplinas mais necessárias já estão cursadas e agora tenho que cumprir disciplinas que já seriam em formato EAD e os estágios que falei na resposta anterior. Mas pensando nos alunos que estão no início da graduação cursando disciplinas como fisiologia, biomecânica, anatomias, semiologia acredito que seja praticamente impossível ter uma graduação igual ou semelhante a nossa que tivemos um intensivo destas disciplinas de forma presencial.

Como você se vê na pós-pandemia, enquanto futuro fisioterapeuta?

Me vejo como um fisioterapeuta que vai utilizar de forma assídua as redes sociais para levar informação, militar pela fisioterapia e com isso conseguir mostrar para as pessoas que precisam dos nossos serviços, que somos essenciais e que mudamos vidas, em uma futura clínica que possa abrir pretendo ter uma sala para tele atendimentos, pretendo ser um fisioterapeuta híbrido onde consiga me especializar cada vez mais nesse formato de atendimentos onde todos se refizeram na profissão será extremamente necessário reformular a nossa também.

Deixe uma reflexão enquanto estudante e futuro profissional da saúde:

Passamos cinco anos em uma graduação aprendendo a ouvir pessoas, conhecer pessoas e se importar ao máximo com elas. Esse momento mais do que nunca precisamos nos importar menos com opiniões pré-formatadas e ouvir mais os pacientes e tentar ao máximo tratá-los como gostaríamos de ser tratados, passar segurança é essencial, estruturalmente todos os lugares serão reformulados mas o principal está nas pessoas, nos profissionais, em como a gente consegue ser empático com as pessoas que confiam seu corpo e suas vidas conosco. Se especializem, ouçam seus pacientes, se preocupem menos com críticas, errem, mas, dos erros, tirem lições. Assim, seremos vistos como profissionais essenciais para todos!

Bruno Rodrigues no Instagram: @brunorodrigues

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Dr. Elexsandro Araújo é Fisioterapeuta, Especialista em Saúde do Idoso, Diretor Clínico da EA Terapias Integradas HOME, Professor, Palestrante, Escritor, Colunista e Cantor.

Contato: elexsandroaraujo@outlook.com
Instagram: @elexsandroaraujo

Créditos:

Notinha de introdução: Andros Silva
Entrevista: Elexsandro Araújo
Foto: Divulgação