Alguns aspectos como produtividade, satisfação, qualidade de vida e questões jurídicas devem ser considerados antes da adoção do modelo

20/07/2020 às 14:37 – Da assessoria para o Blog do Andros 

homeoffice
Divulgação

A pandemia da Covid-19 acelerou a tendência do trabalho remoto. Diante do aumento da produtividade, muitas empresas estão decidindo aderir em parte ou totalmente a essa forma de trabalho. Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 30% das companhias pretendem manter o home office mesmo após a pandemia. Entretanto é preciso considerar os desafios trabalhistas e de gestão que envolvem uma decisão como essa.

Estudos mostram que, em um futuro muito próximo, os escritórios estarão cada vez mais vazios. Segundo o IBGE, 9 milhões de brasileiros trabalharam remotamente no período de 14 a 20 de junho deste ano. Seguindo a mesma linha, relatório do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) mostrou que 22,7% das atividades serão realizadas por teletrabalho daqui para frente, o que deve impactar, ao menos, 20 milhões de trabalhadores. Antes de aderir de vez a esse modelo, é preciso superar alguns desafios.

“Precisamos entender, planejar e executar bem esse cenário para que possamos ter ganhos efetivos em produtividade, satisfação, qualidade de vida e rentabilidade”, afirma Sérgio Falcão, COO da TDS Company, empresa pernambucana que conduz negócios para transformação digital. Sérgio destaca aspectos além da produtividade. “O trabalho remoto bem executado pode ser humano, versátil e eficiente por evitar perda de tempo e dinheiro com deslocamentos. Mas são necessários ajustes e cuidados extras com comportamentos, liderança, ferramentas utilizadas e, sobretudo, com a saúde física e emocional dos trabalhadores.”, alerta o COO.

Entre os principais desafios dessa forma de trabalho está a comunicação, que precisa ser ainda mais objetiva e planejada, já que não é possível, por exemplo, ir até a mesa do colega para tirar uma dúvida. A socialização, a necessidade de mostrar que está trabalhando, a percepção de que o trabalho nunca termina e o isolamento também precisam ser levados em conta, pois interferem diretamente na saúde dos funcionários.  Esses desafios podem ser superados. O COO da TDS Company sugere seguir uma trilha de três etapas: “Num primeiro momento, precisamos nos adaptar imediatamente a este novo cenário. Em seguida, é fundamental evoluirmos os métodos de trabalho levando em consideração o uso de todas as ferramentas tecnológicas definidas. Aí sim, como terceiro movimento, partiremos para a avaliação dos reflexos que existirão nos modelos de negócios e quais serão os nossos indicadores de performance para este novo cenário”, conclui Sérgio Falcão.

Jurídico – É importante que as empresas busquem apoio especializado em relação às questões legais envolvendo trabalho remoto. “A responsabilidade pela aquisição e manutenção de equipamentos e da infraestrutura necessária para a prestação do trabalho remoto, por exemplo, devem ser previstas em contrato escrito. E não são integradas a remuneração do empregado”, explica o advogado especialista em Direito Trabalhista, João Varella. Desde que ambas partes estejam de acordo, a alteração do regime presencial para o teletrabalho pode ser feita mediante aditivo contratual no contrato de trabalho vigente.