16/07/2020 às 20:00 – Por Sidha Moitinho / Colunista Blog do Andros

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Reprodução da Internet

No mundo nem tudo que parece é, por isso que lagartixa nunca vira jacaré… Não posso me conformar com o sistema de desigualdade existente. A gente passa o tempo todo, olhando para o outro e fazendo comparações, julgando, ora nivelando pra cima, ora arrebentando tudo. Poucas vezes ou nunca… fazendo algo de verdade, para contribuir com as mudanças do indivíduo ou da sociedade. Tudo que a gente faz, é apontar o dedo para quem não faz e criticar quem tenta fazer.

Essas atitudes enganam nosso cérebro, nos fazendo acreditar que estamos produzindo alguma coisa, quando na verdade, só estamos criticando sem agir. Ainda que não possa mudar os outros, posso contribuir com a mudança de alguém que deseja mudar e que precisa de apoio ou de uma oportunidade. Sr Lenz, meu querido amigo, vive a dizer: “Ninguém não é tão pobre que não possa ajudar a ninguém.”

Bom seria se na vida, cada um de nós, estivéssemos presos a uma rede de amor, solidariedade, respeito e gratidão. Todos nós ligados entre as tramas das nossas mãos unidas e dos nossos dedos entrelaçados, fazendo o bem uns pelos outros. Sinto dizer: é, justamente, o contrário! É cobra engolindo cobra, gente passando por cima de gente, numa corrida egoísta, movida pela vaidade, soberba, maldade, sem esquecer-se de uma dose dupla de falsidade.

‘Tudo que a gente faz, é apontar o dedo para quem não faz e criticar quem tenta fazer”

Um certo dia, passando pela avenida Bernado Vieira de Melo, em Jaboatão dos Guararapes, ouvia no meu carro, os sons do mundo que aos meus ouvidos chegavam, pelo rádio ligado, se misturando ao barulho do ar-condicionado e ainda a uma conversa descontraída com uma amiga… por um instante, falamos da beleza da orla de Piedade que, no nosso gosto, preferimos, comparada à praia de Boa Viagem… Detalhe, minha amiga mora em Boa Viagem… A gente não tem inveja.

Eu disse a Amélia que os políticos, são tão egoístas, só olham para si, eternamente insatisfeitos, roubam o potencial de Jaboatão que tinha tudo pra ser uma cidade maravilhosa. “Mas que pena! Eu não sou a prefeita!” (Risos) Estou brincando e inventando isso agora… A verdade pra mim, é que em Jaboatão, quem não mora na favela, é vizinho dela… Refiro-me a essa realidade, não com desprezo às pessoas que são vítimas desse desgoverno impregnado no Brasil, NÃO! Falo disso com indignação e revolta diante dos aproveitadores e alimentadores da pobreza. Aqueles que roubam a educação, o saneamento, a saúde, a segurança, a carne do prato, os dentes dos sorrisos, a esperança do jovem carente e por ai vai…

Jaboatão dos Guararapes é um município rico, mas DESORDENADO… Uma bagunça e uma agonia que, só de pensar, causa desconforto emocional. Infelizmente nosso Jaboatão dos Guararapes é usurpado e está, há séculos, sequestrado pelos canibais da vida pública. O povo está à mercê da miséria social e intelectual que continuará até a população mudar sua mentalidade.

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Sidha Moitinho é uma baiana que cresceu em Brasília, apaixonada por Pernambuco, mora em Jaboatão dos Guararapes há mais de 18 anos, cidade que ama e pela qual luta.

É comunicadora social, bacharel em teologia, pastora, cineasta, coordenadora literária e escritora. Sidha ama escrever para crianças, atualmente vem promovendo seu conto infantil ‘Paulinho e o Vento’.

Contato: sidha.moitinho@gmail.com
www.mulherpapoecafe.com
@sidha_moitinho