02/07/2020 às 18:20 – Por Patrícia Domingos para o Blog do Andros 

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Delegada Patrícia Domingos/Divulgação

Eis que durante o espetáculo, quando a fantasia ganha ares de realidade, alguém da plateia grita “fogo” e ninguém se abala, afinal, o dono do circo tranquiliza a todos e diz que não é nada grave o que está ocorrendo. O espetáculo continua, até que a plateia, inebriada, desperta atônita em meio ao fogo. Os funcionários não sabem como agir, o dono do circo tenta apagar o incêndio com baldes de água e mantas. Enquanto não encontram uma solução, funcionários e espectadores morrem queimados e pisoteados. No circo não há extintor de incêndio, não há saídas de emergência nem bombeiros de prontidão. O circo é aqui e o nosso terrível espetáculo começa durante o carnaval.

O dono do circo todos conhecem. É aquele que, mesmo ciente da existência de um vírus com letalidade e alcance ainda desconhecidos, e que já tinha feito várias vítimas, manteve a realização da maior festa popular do país – um aglomerado de milhões de pessoas: o carnaval. O dono do circo e seu alto escalão continuam procurando extintores de incêndio e saídas de emergência, e, como não os têm, cobram da plateia a conta de sua incompetência, a exemplo da antecipação do IPTU 2021. A plateia protesta, mas o dono do circo, num passe de mágica, consegue tornar possível tal cobrança com a anuência do Tribunal de Contas do Estado, órgão que deveria impedir tais barbáries.

“No circo não há extintor de incêndio, não há saídas de emergência nem bombeiros de prontidão”

Rápido na caneta para cobrar, mas lento para agir em benefício da população, ele se nega a receber pessoalmente os vereadores que pedem suspensão e redução da cobrança de impostos para pequenos empresários. Na verdade, Vossa Alteza manda um assessor dele recebê-los, já que se ofereceram para colaborar no combate à pandemia; e assim segue solitário no comando desse circo de horrores.

A saga das trapalhadas da gestão circense parece não ter fim: o dono do circo distribuiu cestas básicas para a população gerando aglomeração e expondo a população a risco de contágio; tentou gastar 1,6 milhões comprando celulares enquanto pessoas agonizavam e morriam por falta de leitos nas UTIs e enfermarias; gastou fortunas construindo hospitais de campanha, mas nem metade destes leitos funciona; contratou empresa alvo de investigação da Polícia Federal para prestar segurança ao município; comprou produtos por um valor, em um determinado dia, e, dias depois, comprou os mesmos produtos pelo dobro do preço e contratou empresas suspeitas de serem fantasmas. Porém, o mais odioso de todos os episódios: comprou para a população respiradores para uso em porcos, em uma empresa de produtos veterinários, isso mesmo, respiradores que só foram testados em porcos e não estavam autorizados pela ANVISA a serem utilizados em seres humanos.

E tudo isso foi “Geraldo quem fez”. O pior gestor da história transformou nossa capital do Nordeste na capital dos escândalos, alvo de operações policiais, capa de revistas nacionais, causando horror à nação por tratar o povo do Recife como porco. Nos resta fiscalizar como e onde o dono do circo vai continuar a empregar esses recursos, para não deixarmos que ele nos transforme de plateia em palhaços.

Delegada Patrícia Domingos, pré-candidata à prefeitura do Recife (Podemos)
@delegadapatriciadomingos