Quando o vírus já tinha pego a ponte aérea entre a Ásia e a Europa, lembro quando o secretário de Saúde de Pernambuco disse sua célebre frase, dias antes dos festejos  momescos: “Máscara só se for para brincar o carnaval”. E hoje, não temos previsão para deixar de usar máscaras

02/07/2020 às 12:58 – Por Rômulo Félix para o Blog do Andros 

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Imagem/Reprodução da Internet

A desordem emanada e observada em tempos de pandemia nas ações de muitos  gestores públicos, ao que parece foi a ordem estabelecida. Com o reconhecimento por  parte da Organização Mundial da Saúde (OMS) que tínhamos uma pandemia em curso, o planeta tentou se adequar ao momento, tendo em vista que o enfrentamento possível  seria tão somente o isolamento social e cuidados com a higiene.

De forma célere e inexorável o vírus foi se espalhando exponencialmente em todos os continentes do mundo. Contaminando o sistema econômico e descambando para o sistema de saúde em proporções globais. Nesse ínterim, como um efeito cascata, todos os segmentos sentiram na pele ou nos pulmões os efeitos nefastos do vírus.

Independente de ser oriundo de um laboratório ou da mãe natureza, se foi do DNA de jacaré com cobra d’agua ou do pangolim com a civeta. Indústria, comércio, prestação de serviços, turismo, lazer, alimentação, enfim… Sobrou  para todos, não sobrou pedra sobre pedra.

“A desordem emanada e observada em tempos de pandemia nas ações de muitos gestores públicos, ao que parece foi a ordem estabelecida”

Quando o vírus já tinha pego a ponte aérea entre a Ásia e a Europa, lembro quando o secretário de Saúde de Pernambuco disse sua célebre frase, dias antes dos festejos  momescos: “Máscara só se for para brincar o carnaval”. E hoje, não temos previsão para deixar de usar máscaras. A partir do momento, que foi identificado e noticiado os primeiros casos e óbitos no Brasil, assistimos uma verdadeira batalha. Não contra o novo coronavírus e sim, uma batalha ideológica, político partidária, de egos e verdades absolutas.

O vírus avançando, ministros da Saúde caindo, negacionismo do chefe da nação, centenas de respiradores quebrados e esquecidos nos depósitos, Unidades de Saúde sucateadas, sem EPI, sem medicamentos, e defasado de profissionais na área de saúde. Contudo, ainda não estava de bom tamanho, governadores e secretários de Saúde  resolveram ajudar a subir o número de óbitos, assaltando os cofres públicos com compras superfaturadas e em muitos casos pagando sem adquirir os equipamentos.

O seguro emergencial que veio para minimizar o sofrimento de muitos, causou  aglomerações de pessoas e uma enxurrada de golpes virtuais. Sem falar nos milhões de reais que muitos receberam sem ter direito, praticando estelionato em massa. Servidores públicos, militares, empresários e afins colocaram em prática a “Lei de Gerson” (um princípio em que determinada pessoa ou empresa obter vantagens de forma indiscriminada).

A pandemia foi agravada por muitos políticos, estamos lidando com as consequências das más escolhas de nossos gestores públicos. Que se valorize o sofrido aprendizado, o Brasil assim como o mundo tem agora em suas prioridades a oportunidade para reavaliar problemas de desigualdade, saneamento, políticas públicas e, principalmente, priorizar o sistema de saúde.

Que a humanidade volte ao novo normal com mais humanidade e o Brasil encontre o caminho da civilidade.

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Rômulo Félix é administrador de empresas, morador de Jaboatão dos Guararapes  e apaixonado por sua cidade.