24/06/2020 às 21:03 – Por José de Siqueira / Colunista Blog do Andros

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Luiz Barbosa era policial civil aposentado, completara recentemente 56 anos de idade. Foto: Arquivo pessoal

A tragédia da pandemia, enlutando lares, apertando corações, parece não ter fim. Já quase não há mais lágrimas para chorar. Em obra psicografada por Chico Xavier, “Gotas de Consolação”, li, há muito tempo, meio século talvez, mensagem sobre a função do rosto, dos olhos, das lágrimas, como expressão sentida da dor: “para o pranto mais sentido, o rosto não tem função, nasce, cresce, rola e queima, por dentro do coração”. Quando a dor é muito grande, a gente não verte lágrimas, o pranto manifesta-se silencioso, invisível, por dentro.

Quando se tem um número grande de entes queridos como no caso de entidades de ensino com a inter-relação proximal, afetiva, entre professores, alunos e pessoal administrativos, tem-se o receio, nessa pandemia do covid-19, de más notícias (e já foram tantas) que aumentem nosso sofrimento, nossa angústia, o sentimento de falta por perdas irreparáveis.

Em idos de abril, perdi uma aluna, Viviane, na flor da idade, atleta, amante do carnaval, do galo da madrugada e de outras alegrias que tornavam sua existência apetecida. Três dias após dar à luz uma criança que já iniciou a vida em tratamento hospitalar sob risco de morte, Viviane partiu saudosa e deixando saudade. Ontem (terça-feira 23), foi a vez do meu ex-aluno do curso de Direito do Instituto Pernambucano de Ensino Superior (IPESU) de que sou coordenador, Luiz Barbosa.

“A tragédia da pandemia, enlutando lares, apertando corações, parece não ter fim. Já quase não há mais lágrimas para chorar”

Tão trágica quanto a morte de Viviane, deixando a criança neonata sem amamentar, sem aquecer com o calor do seu corpo, sem acariciar, foi o falecimento de Luiz Barbosa, que enviuvara quinze dias antes, vítima a esposa do mesmo mal, e que tivera uma filha, aluna do quarto período de Direito da mesma faculdade em que se formara no IPESU, em dezembro de 2019, também hospitalizada por covid-19.

Luiz Barbosa era policial civil aposentado, completara recentemente 56 anos de idade, executara a prisão legal de muitos criminosos em operações de captura, mas sabia ser simples, manso e sorridente como uma criança, sem jamais se jactanciar de sua coragem, da autoridade de seu cargo, nem deixar de ser prestativo quando solicitado.

Aluno cumpridor dos seus deveres acadêmicos, entre eles, pontualidade, estudo, respeito aos professores e aos colegas. Era por todos estimados. Vai em paz Luiz, que Deus te ilumine e te ampare nessa nova caminhada. Nós, os teus professores, os teus colegas de estudo, todos os que fazemos a faculdade de Direito do IPESU, oramos por ti, não esqueceremos a grandeza do teu exemplo como ser humano. Teu sonho de ser um grande advogado aprimora-o com Jesus, o maior causídico da humanidade!

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José de Siqueira Silva é Cel da PMPE,
mestre em Direito pela UFPE e
professor de Direito nas faculdades
IPESU e FOCCA

Contato: jsiqueirajr@yahoo.com.br