21/06/2020 às 00:39 – Por José de Siqueira / Colunista Blog do Andros

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Imagem/Reprodução

Bom dia tristeza, boa tarde, boa noite.
Aborrece-me esse tempão junto de ti.
Enfada-me esse visgo, essa pegajosidade.
Farto-me do desconforto dessa aderência.
Não tenho vocação para ser triste,
Nem amor pelo sofrimento,
Casar contigo é péssimo casamento.

Tu és uma chata, pões gosto ruim em tudo, vadia irresponsável.
Cansa-me tua leviandade com meus sentimentos,
A brincadeira de empurrar para baixo o meu humor,
A minha satisfação com o mundo.

Teu gosto é deprimir os outros.
Possuís química letal a longo prazo,
Matas lentamente com amargor,
Às vezes por suicídio. Calamidade!

Como companheira, tens excesso de fidelidade,
Como se eu fosse único no mundo,
Dedicação absurdamente exclusiva para mim.
Mudei minha pretensão de mancebia,
Procuro um namoro sério,
Quem sabe uma bigamia com a felicidade.

Como inquilina, não pagas aluguel,
Maltratas a moradia da minha intimidade,
Requeri à justiça teu despejo por depredação,
Com base na lei do inquilinato,
Invasora ruinosa do meu coração.

Não sentirei saudade nem ficarei infeliz quando te fores,
Ninguém se infelicita por divorciar-se de ti,
E não desejarei maior cabedal de felicidade do que a que tenho conquistado sendo infiel a ti. Não sou mais tão despossuído assim,
Se contar o volume de alegria que tenho entesourado, apesar dos pesares,
Sou rico, muito rico, multimilionário.

josesiqueirasobre
José de Siqueira Silva é Cel da PMPE,
mestre em Direito pela UFPE e
professor de Direito nas faculdades
IPESU e FOCCA

Contato: jsiqueirajr@yahoo.com.br