01/06/2020 às 20:31 – Por José de Siqueira / Colunista Blog do Andros

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Policial foi filmado com o joelho sobre o pescoço de George Floyd — Foto: AFP/Facebook / Darnella Frazier

Minneapolis, Estados Unidos. Policial branco, fardado, Derek Chauvin, joelho sobre a garganta de homem negro, George Floyd, 46 anos, rendido, algemado, talvez bandido, pagara compras com dólares falsos, segundo jornais. O homem branco, de uniforme azul, não estava prendendo, como devia, não estava orando, genuflexo, como parecia, estava matando em posição de prece, asfixiava sacrilegamente a cor negra que odiava, na posição ajoelhado como adorava à Deus! Que escárnio, que humilhação.

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Os negros americanos retomaram a luta pelo respeito à sua dignidade como pessoa humana, em protestos que se alastram por 57 cidades estadunidenses. Foto: John Minchillo/AP Photo

Os negros americanos retomaram a luta pelo respeito à sua dignidade como pessoa humana, em protestos que se alastram por 57 cidades estadunidenses, com sacrifício, até ontem, de quatro vítimas, e de repercussão mundial. Ao longo dos séculos, muitos foram os que tombaram, combatendo a escravidão a discriminação social e o preconceito. No Brasil, na Serra da Barriga, hoje Alagoas, cerca de 20.000 escravos fugidos, defenderam sua liberdade por quase um século, da segunda metade dos anos de 1600 até 1710. Zumbi dos Palmares, o líder da revolta negra, foi emboscado e morto em 20 de novembro de 1695, mas o quilombo resistiu bravamente até 1710. Sangue heroico brasileiro irrigando o solo para a germinação do direito. Nos Estados Unidos com tanto avanço cultural e tecnológico, não se implantou ainda uma vacina contra o racismo e em outros países da Europa também ditos evoluídos não foi curada a chaga do preconceito racial.

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Ao longo dos séculos, muitos foram os que tombaram, combatendo a escravidão a discriminação social e o preconceito. Foto: Reprodução

Jair Bolsonaro, reunido com fazendeiros, posaram para foto, copo de leite à boca, em tradicional desafio do leite dos pecuaristas. A pose foi interpretada apressadamente, como ritual visto no passado e temido, face ao precedente do ex-secretário de Cultura, com a mesma música de fundo e trechos dos discursos de Hitler, em mensagem sua sobre a cultura brasileira. Branco seria branco, preto seria preto, direita seria direita sem mistura com esquerdista. Não precisava, entretanto, imitar a ideologia nazista. Felizmente, a interpretação que se deu à foto foi equivocada, talvez. Há um fenômeno de comunicação sutil denominado propaganda subliminar que bem pode ter sido utilizado na preparação e posicionamento para essa foto, com intuito de ocupar espaços nas mentes dos brasileiros por meio de simbologia e depois escravizá-los. Que Deus nos livre dos ismos que tanto mal fizeram ao mundo. Longe do Brasil o golpismo, o facismo, o nazismo, e o comunismo. O povo já sofre muito com a demagogia e o ladroísmo.

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Jair Bolsonaro, posa para foto, copo de leite à boca, em tradicional desafio do leite dos pecuaristas. A pose foi interpretada apressadamente, como ritual visto no passado. Imagem/Reprodução

capa-jornal-jornal-do-commercio-01-06-2020-90cBolsonaro, na capa do Jornal do Comércio desta segunda-feira (01), aparece cavalgando em manifestação contra o Supremo Tribunal Federal, dessa feita abertamente e sem subterfúgios.

O ministro Celso De Mello, decano do STF, às folhas 7 do mesmo jornal, declara: “A intervenção militar, como pretendida por bolsonaristas e outras lideranças autocráticas que desprezam a liberdade e odeiam a democracia”, nada mais é senão o engajamento para “a instauração no Brasil, de uma desprezível e abjeta ditadura militar”… “É preciso resistir à destruição da ordem democrática, para evitar o que ocorreu na república de Weimar”, finalizou o ministro Celso de Mello, comparando o Brasil de hoje com a Alemanha de Adolf Hitler, eleito inicialmente pelo voto popular e depois ignorando à constituição democrática de Weimar.

Como vemos, há fundamentado temor em diversos segmentos da sociedade brasileira de que o Brasil esteja sendo conduzido a uma indesejável ruptura constitucional. Tomara que eu esteja enganado.

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José de Siqueira Silva é Cel da PMPE,
mestre em Direito pela UFPE e
professor de Direito nas faculdades
IPESU e FOCCA

Contato: jsiqueirajr@yahoo.com.br