17/05/2020 às 20:26 – Por José de Siqueira / Colunista Blog do Andros

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Foto: Claudio Vieira

O coronavírus, esse inimigo insidioso, desafia a ciência, a economia, a administração pública do mundo numa guerra sem fronteiras, cheia de escaramuças de que o ser humano, crente de ao final sair vencedor, vem amargando perdas irreparáveis. O Brasil, esse gigante que não se intimida, levantou do seu berço esplêndido e enfrenta sobranceiro a adversidade. Vem fraquejando em alguns confrontos, não só no tocante ao morticínio da pandemia, mas relativamente às chagas sociais que ela agrava como a fome e o desemprego. Mas o país triunfará, temos certeza disso, porque é mais forte do que suas fraquezas, sua história o demonstra e demonstrará novamente.

Trava-se uma guerra em que o inimigo tem as virtudes de um guerrilheiro. É surpreendente, ardiloso, ataca-nos ao nos desprotegermos, nos excessos de autoconfiança. Do nosso lado, contamos com a coragem do pessoal da saúde, médicos, enfermeiros, faxineiros, pesquisadores de laboratórios, trabalhadores de serviços essenciais que enfrentam o perigo de contágio na busca de que os pacientes e o país se mantenham vivos. O medo também milita em nosso favor. Graças a ele muita gente se preserva e preserva os outros de contaminação, ficando em casa, evitando aglomerações, aproximações perigosas. Evitando, também, os exemplos de coragem excessiva como a do presidente, que minimiza o potencial ofensivo do vírus agressor.

O cansaço, nessa luta, é companheiro dos nossos combatentes. Felizmente eles não deixam que a esperança canse de esperar que vençamos esse combate. A estratégia da refrega é ditada, em parte, pelos ministros da Saúde. Luiz Henrique Mandetta (declarou-se hoje, 17 de maio candidato a presidente da República em 2022), recomendou o distanciamento entre as pessoas e criou a regra ficar em casa como esteio da política de prevenção. Sua proposta preventiva colidiu, publicamente, com a do presidente da República. O médico Mandetta foi demitido. Substituiu Mandetta, o também médico, Nelson Teich, que prometeu rever em parte as recomendações do antecessor, seguindo as observações que continuassem cabíveis.

“Trava-se uma guerra em que o inimigo tem as virtudes de um guerrilheiro. É surpreendente, ardiloso, ataca-nos ao nos desprotegermos, nos excessos de autoconfiança”

Nelson Teich na primeira coletiva à imprensa, trazia cara de dias indormidos, exaurimento de cansaço, expressão sonolenta. Era exercício de sonambulismo sobre corda bamba no picadeiro de um circo. Talvez fosse uma pessoa nerd, absolutamente nerd, caminhando nas nuvens. Venceu o cansaço, a sonolência, no conflito de estratégias com Bolsonaro preferiu largar tudo e ir para casa tirar uma sonequinha. Agora o presidente nomeou ministro da Saúde um general do Exército, sem curso de medicina, Gen. Eduardo Pazuello, intendente, que já se declarou um cumpridor de ordens. E está muito certo em dizer a que veio. O Congresso Nacional aprovou o orçamento excepcional de guerra. Agora é guerra, dê no que der.

O Brasil já tem canhões de terra, ar, mar. Metralhadoras também. E não temos porque omitir os mísseis de longo alcance. Talvez haja até bomba nuclear, mas essa é nossa arma secreta contra o inimigo. O Direito Penal Militar em tempo de guerra já entrou em vigor. O combatente medroso que desertar será fuzilado. E não adianta implorar para ser jogado às piranhas, animais comedores de gente, porque se elas forem comidas trazem sabor proibido de traição. Nova condenação ao fuzilamento. No Direito Penal Militar em tempo de guerra paga-se com a vida traição, cobardia (com b) e deserção. Nossa esperança é que se aplique também aos políticos esse direito.

josesiqueirasobre
José de Siqueira Silva é Cel da PMPE,
mestre em Direito pela UFPE e
professor de Direito nas faculdades
IPESU e FOCCA

Contato: jsiqueirajr@yahoo.com.br