10/05/2020 às 00:00 – Por José de Siqueira / Colunista Blog do Andros

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Reprodução da Internet

Digamos que tenhamos atingido a capacidade máxima de utilização do nosso cérebro, muito acima dos 10%, e consigamos imaginar, exatamente, como será a eleição de 2028 e o governo eleito consequente, num Brasil que adivinhemos como seja. Na campanha, o candidato vencedor assegura: “Sou contra reeleição, não serei candidato a reeleição, acabarei, se eleito, com a reeleição de Presidente, Governador e Prefeito. O Brasil não é a Venezuela”. Empossado como novo chefe do Executivo, o presidente se pronuncia por palavras e gestos: “Sempre faço mais do que prometo. Sou contra o esquerdismo e o modelo de Hugo Chávez. Para que essa hipocrisia de eleições e reeleições desnecessárias? Acabarei com elas, sou um iluminado, tenho a força, eternizar-me-ei no poder para o bem do Brasil e a felicidade do povo”.

Em campanha: “Reduzirei o número de parlamentares no país. Acabarei com esse desperdício”. Depois da posse: “Atenderei aos reclamos populares, fecharei o Congresso Nacional. Detonarei o Poder Legislativo. Sem ele é mais fácil governar”. Durante a campanha: “Empenharei a própria vida em favor da democracia”. Depois da eleição: “Democracia é bom, mato e morro por ela, mas precisa ter limites. Para que Congresso Nacional, barganhando emendas orçamentárias e outras vantagens para legislar? Para que justiça, que aprecia, obsta ou anula atos do Poder Executivo intrometendo-se onde não lhe cabe? Essas instituições atrapalham. Sem elas tudo funciona melhor, o povo que o diga. “A voz do povo é a voz de Deus. O Brasil acima de tudo e Deus acima de todos” No meu governo há liberdade plena. Pode-se até ir ás ruas, de preferência defronte aos quartéis, pedir a reedição do AI5 – Ato Institucional Número Cinco, com todas as suas “liberalidades”, inclusive no tocante a prisão e garantia de “habeas Corpus”. Democracia é isso aí?

Na campanha: “Combaterei com unhas e dentes a corrupção. Não serei complacente nem transigente com ela. As autoridades terão todo apoio e independência nas investigações criminais”. Depois da posse: “As autoridades de polícia judiciária, investigativas, serão independentes, desde que da minha confiança estritamente pessoal, que façam o que mando e não tenham segredo comigo. Como presidente da República tenho direito a saber de tudo”. E tem? Mesmo sendo o investigado?

Durante a campanha: “Mudarei a forma antiga, corrompida, de fazer política. Na minha gestão não haverá acordos espúrios, nem conchavos. Transparência será a regra. Políticos da velha República não terão vez”. No exercício da Presidência: “Da velha República só me servem os mais experientes. É claro que vou incorporá-los ao meu governo”… 0BS: As aparências são meras coincidências. Este é um trabalho de ficção resultante da ociosidade ensimesmada, enfurecida, da quarentena do coronavírus e do esforço para crer que esse vírus, quando muito, provoca um resfriadozinho, uma “gripezinha”.

Em tempo… A bem da verdade, daqui em diante, ele ficou tão querido pelos idosos que não perderá deles um só voto. Gostei quando declarou amar os velhos (idosos é frescura, eufemismo desusado por cabra macho) ama tanto os velhos que cuidou carinhosamente de amparar-lhes a velhice com dignas e suficientes aposentadorias. Num rompante de bem-querer incontido, determinou a sua equipe técnica que providenciasse, urgente, uma vacina virtual contra a covid-19, para idosos. Assim, não sentiriam sequer dor com picada de agulha. Que amorosidade.

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José de Siqueira Silva é Cel da PMPE,
mestre em Direito pela UFPE e
professor de Direito nas faculdades
IPESU e FOCCA

Contato: jsiqueirajr@yahoo.com.br