“Os grupos que sempre agregam valores a nossa cidade não podem ficar desassistidos neste momento difícil”, salienta Robson Abóbora, vocalista do Coco do Serrote. “Temos uma grande parcela de agremiações que vem passando por complicações devido a essa quarentena”, enfatiza Fábio Sotero, presidente do Maracatu Aurora Africana

08/05/2020 às 20:03 – Por Andros Silva

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Robson Abóbora. Foto: Divulgação / Fábio Sotero. Foto: Breno Laprovítera

Sem eventos por causa da pandemia, artistas populares de Jaboatão estão sofrendo por não ter remuneração durante o isolamento. No início da tarde da última quinta-feira (7), em conversa com o Blog do Andros, Robson Abóbora, vocalista do Coco do Serrote, grupo cultural criado em 2008 no bairro da Vila Rica e Fábio Sotero, presidente do aclamado Maracatu Aurora Africana, com sede na mesma comunidade, revelaram o drama que vem passando várias agremiações do município.

“Os grupos estão sofrendo bastante, estamos fazendo das tripas corações, é muito triste esta situação que estamos passando, nesses grupos muitos dos integrantes vivem na periferia em vulnerabilidade social. A maioria não está podendo trabalhar, temos feito tudo que podemos pra dá a mínima assistência aos mais necessitados, mas estamos ficando sem recursos. Muitos grupos estavam cadastrados na prefeitura, como o Coco do Serrote para a Festa da Pitomba (como é popularmente conhecida a Festa de Nossa Senhora dos Prazeres) e uns Workshop em escolas e do nada tudo precisou ser fechado, deixando a gente prejudicado”, explica Robson Abóbora. Em busca de ajuda para as agremiações, o músico revelou que já procurou o Poder Público, mas eles dizem que “toda a verba está sendo direcionada para conter os impactos causados pela covid-19”. “Como? Se a gente que leva sempre o nome da cidade não estamos sendo reconhecidos neste momento de dificuldades”, questionou o Coquista, enfatizando… “Nossas instituições não existem apenas durante o Carnaval, fazemos dentro de nossas comunidades ações sociais, e além dos artistas, existe muita gente precisando de ajuda. Quem sempre agregou valores a cidade, não pode ficar desassistidos”, cravou o artista popular.

Para Fábio Sotero, sua classe é uma das mais atingidas. “A maioria são trabalhadores autônomos, vivendo apenas da sua arte. Temos componentes que a gente dá assistência. Com a quarentena, muitos não podem fazer bicos (trabalhos extras) e quem tem emprego de carteira assinada, alguns já estão sendo e outros correm riscos de serem demitidos. Temos uma grande parcela de agremiações que vem passando por complicações. Precisamos de atenção para achar uma forma de aliviar essa situação”. Segundo o líder de um dos mais tradicionais maracatus de Pernambuco, uma opção interessante seria o governo municipal prover cestas básicas, “para serem distribuídas dentre eles”, aliviando temporariamente o cenário tenso atualmente vivido.

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