Em relatos exclusivos para coluna, as Fisioterapeutas Dra. Júlia Coutinho e Dra. Anamélia Novaes, expressam como se sentem estando na linha de frente

23/04/2020 às 20:01 – Por Elexsandro Araújo / Colunista Blog do Andros

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Julia Coutinho e Anamélia Novaes. Fotos: Divulgação

“Posso dizer que em 7 anos de formada, atuando desde sempre na área de fisioterapia em terapia intensiva, nunca vivenciei ou sequer imaginei passar por algo como o que estamos passando. Mesmo estando “acostumada” a trabalhar nesse ambiente tão insalubre, já que lidamos diariamente com doenças infectocontagiosas, procedimentos invasivos, radiação, entre outros.

O medo tomou conta de todos nós diante do grande potencial de disseminação que esse vírus apresenta. Vejo muitas pessoas romantizando os profissionais que estão na chamada “linha de frente”, mas não se enganem, não somos heróis, tememos por nós e por nossos familiares. Muitos, inclusive, se veem obrigados a “deixar” suas casas para que não coloquem os seus em risco.

“Nunca vivenciei ou sequer imaginei passar por algo como o que estamos passando”

A cada volta do plantão surge a incerteza sobre se fizemos tudo certo durante o processo de desparamentação, se nos contaminamos ou não. A tristeza ao ver nossos colegas adoecendo, e logo vem a cabeça quando será a nossa vez.  Sei que ainda temos um longo e árduo caminho pela frente. Peço a Deus em minhas orações força para seguir essa batalha e resiliência para extrair desse momento bons ensinamentos”, diz a Dra. Julia Coutinho.

“Sou fisioterapeuta, trabalho há 7 anos no ambiente de Unidade de terapia intensiva (UTI). Confesso que não passava em minha mente viver essa situação que estamos vivendo no momento, tem sido dias difíceis, exaustivos que tem me deixado marcas tanto físicas quanto emocionais. Se já era um ambiente insalubre, hoje em dia, tem uma carga viral muito maior, todo cuidado é pouco, porque o mínimo de descuido, pode nos custar caro.

Posso dizer que, hoje em dia, não existe mais aquele termo de “o plantão está calmo”, pelo contrário, a quantidade de pacientes que chegam no nosso setor, muitos deles em franca insuficiência respiratória, necessitando de uma via aérea artificial para poder reverter o quadro, é grande. Diante desta pandemia, uma coisa que nos aflige, é termos que lidar com a possibilidade de escassez dos equipamentos de proteção individual (EPIs), essa semana passei 8 horas paramentada, sem poder tomar água, ir ao banheiro, tocar no rosto e utilizar aquela máscara que aperta o rosto e me dá uma sensação de falta de ar, é uma situação bem desgastante.

“Tem sido dias difíceis, exaustivos que tem me deixado marcas tanto físicas quanto emocionais”

Estar na linha de frente é também abdicar do convívio familiar e não saber ao certo quando tudo voltará à normalidade, tudo isso como forma de reduzir a possibilidade de contaminarmos quem amamos. Mas eu tenho a certeza que sairemos mais fortes e unidos dessa “guerra contra um inimigo invisível”, relata a Dra. Anamélia Novaes.

Com lágrimas nos olhos, finalizo essa matéria! Gratidão ao fisioterapeutas que estão na linha de frente!  Fiquem em casa!

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Dr. Elexsandro Araújo é Fisioterapeuta, Gerontólogo, Mestrando em Gerontologia, Diretor da Terapias Integradas Home, Professor, Palestrante, Escritor e Colunista.

Contato: elexsandroaraujo@outlook.com