Tenho a honra de receber na coluna, o Coordenador Científico da Sociedade Brasileira de Fisioterapia, Dr. Wiron Correia. Em matéria, nos fala da importância da continuidade da assistência fisioterapêutica em meio ao cenário atual

17/04/2020 às 09:28 – Por Elexsandro Araújo / Colunista Blog do Andros

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Dr. Wiron Correia, Fisioterapeuta e Coordenador Científico da Sociedade Brasileira de Fisioterapia – SBF. Foto: Divulgação

“A Fisioterapia não pode parar”

Estamos vivendo um momento muito delicado na história da humanidade. A pandemia do novo coronavírus mudou a forma como as sociedades encaram as suas prioridades e obrigou diversas atividades públicas e privadas a mudarem suas formas de atendimento e prestação de serviços por vezes essenciais.

Nesse cenário tivemos escolas, restaurantes, shoppings e clínicas que paralisaram suas atividades por decretos oficiais. Os motivos já estão mais que explicados, mas muito me preocupa a paralisação dos serviços de Fisioterapia, isso é facilmente compreendido quando destacamos o caráter assistencial voltado ao controle de condições patológicas e funcionais de natureza crônica que a grande maioria dos serviços de Fisioterapia prestam à população.

Seja qual for a especialidade, a assistência fisioterapêutica nesses pacientes se faz essencialmente estratégica na busca da resolutividade e da qualidade de vida.

Percebemos facilmente que ao longo dos anos milhares de pacientes buscam nos consultórios e clínicas de Fisioterapia a única forma de condução dos quadros já até desacreditados por muitas outras áreas, porém precisamos entender o porquê dessa decisão quando a cronicidade dos quadros dos pacientes não cederá diante da pandemia.

A justificativa para o encerramento temporário das atividades em clínicas é de se evitar aglomeração nesses ambientes. Essa afirmação acima estabelecida nos leva à abertura de outro debate muito importante, como a sociedade civil estabelecida e os órgãos oficiais enxergam a Fisioterapia.

Mantendo a linha de raciocínio percebemos com clareza que a visão de assistência fisioterapêutica que a sociedade tem é a mesma definida na década de 70, onde os antigos “centros de reabilitação“ se apresentavam lotados de pacientes com várias patologias crônicas e sem a menor individualização nos atendimentos. Esse modelo já não representa há muito tempo o perfil clínico moderno da Fisioterapia.

Precisamos entender que muitos serviços na atualidade têm padrões de excelência exatamente por primarem pela individualidade da assistência, onde se respeita a privacidade, o sigilo dos pacientes e principalmente os critérios de higiene que hoje são conhecidos e adotados no mundo.

A evolução e o refino da atividade clínica do fisioterapeuta moderno deixam muito claro que a decisão de impedir o funcionamento desses estabelecimentos é equivocada.
Não podemos fechar os olhos e cair na ilusão de que serviços massificados não existem. Eles existem e é chegada hora de se adequarem ao padrão ouro descrito aqui.

Proibir o funcionamento de clínicas de Fisioterapia porque o órgão oficial só conhece o modelo massificado é no mínimo irresponsabilidade com a saúde das pessoas que têm seus tratamentos em consultórios e em clínicas que garantem a assistência individual. Precisamos respeitar as medidas de controle da propagação do vírus, mas os órgãos oficiais precisam atualizar, ou pelo menos criar critérios para proteger os pacientes e garantir a oferta de serviços de saúde que são essenciais aos mesmos.

Dr. Wiron Correia Lima/CREFITO 19548F
E-mail: fisioterapia.ciencia@gmail.com
Instagram: @wironcorreialimafilho

epnova

Dr. Elexsandro Araújo é Fisioterapeuta, Mestrando em Gerontologia e Especialista em Gerontologia. Diretor da Terapias Integradas Home, Professor, Palestrante, Escritor e Colunista

Contato: elexsandroaraujo@outlook.com
Instagram: @elexsandroaraujo