16/04/2020 às 20:06 – Por José de Siqueira / Colunista Blog do Andros

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Reprodução

O coronavírus assemelha-se a um criminoso, travestido de múltiplas feições, inclusive a de baixa ofensividade. Previsto com antecedência razoável por um médico chinês, ele é tão ardiloso que levou o cientista ao descrédito, à censura do governo, processado administrativamente por alarmismo.

Os governos têm dessas coisas. Ao tentar proteger a China do pânico, expôs à morte e ao enclausuramento o povo chinês e o resto do mundo, alastrando as consequências de sua insensatez. O médico que previu a tragédia, punido como ridículo pelas autoridades, vingou-se delas. Transformou-se de vilão em herói da pátria, sacrificando a vida no combate ao vírus em defesa da humanidade.

O vírus finge-se de bonzinho, pela sua baixa letalidade, em compensação a rapidez do seu contágio é responsável pelo aumento acelerado de morte em um curto espaço de tempo. Consequências diretas desse vírus, suspeita de contágio, isolamento, acamação, hospitalização, tratamento dos sintomas, restauração da saúde (o organismo enfermo subjuga a enfermidade. Não há cura por remédio), óbito. Nesse caso, o agonizante falece sem presença dos parentes, proibidos, na Itália, até de assistir-lhes o sepultamento.

Na tentativa de barrar o contágio, o Poder Público proíbe a circulação das pessoas, sua aglomeração nas ruas, o uso de transportes públicos, particulares, terrestres, marítimos, aéreos, e até das próprias pernas para locomoção, multadas por exemplo na Itália ou na França ao transitarem a pé sem motivo justificado.

“O coronavírus assemelha-se a um criminoso, travestido de múltiplas feições, inclusive a de baixa ofensividade”

O comércio, as indústrias fecham, ressalvados os que disponibilizam produtos de urgência ou de primeiras necessidades. Salvo melhor juízo, pelo andar da carruagem, a quebradeira será geral. Onde vai parar a economia do mundo?

O confinamento domiciliar faz os confinados sentirem-se protegidos, mas injustiçados pelo coronavírus, presos sem cometerem crimes, privados de suas atividades como as diaristas, levados ao desemprego como os ambulantes, invejam o inocente Ronaldinho Gaucho, que, quando preso, dava autógrafos aos fãs, recebia visitas dos amigos, batia bola, e se morresse seria assistido pelos familiares na hora agônica, e não haveria proibição de parentes e amigos assistirem ao enterro.

Esse coronavírus é terrível, insolente, não respeita nem as autoridades. Se não fosse o poder das armas teria infectado o presidente Bolsonaro. O lugar do coronavírus, se fosse gente, seria na cadeia como condenado, disputando a má fama com os delinquentes mais perigosos e mais escrachados. Melhor mesmo seria modificar a lei e condená-lo à morte. Dizem que vaso ruim não quebra, mas a ciência duvida disso.

A qualquer hora que ligarmos a televisão, o corona está lá protagonizando os assuntos. Como todo bandidão, é uma celebridade, mas até que os da Lava Jato e não se deixou aprisionar para não contaminar os colegas da prisão. Aliás, os presos são as pessoas que mais tem liberdade neste país durante essa quarentena, não ficam desempregados, não passam fome, e os governos não podem proibi-los que se aglomerem, nem impor que guardem distância de um metro uns dos outros, quando a distância máxima possível, às vezes, são alguns centímetros.

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José de Siqueira Silva é Cel da PMPE,
mestre em Direito pela UFPE e
professor de Direito nas faculdades
IPESU e FOCCA

Contato: jsiqueirajr@yahoo.com.br