04/03/2020 às 14:53 – Por José de Siqueira / Colunista Blog do Andros

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Fotos: Divulgação

O desemprego descomunal no Brasil, cerca de 11,8 milhões de desempregados, acarreta enormes transtornos às pessoas e à sociedade. Carências insatisfeitas, sonhos irrealizados, desencanto com a vida e consigo mesmo. A desesperança gera angústia, insegurança, depressão, revolta contra tudo e contra todos, drogas, prostituição, violência que não se resolve só com polícia.

O desequilíbrio das contas públicas torna imperativo enxugar a administração pública reduzindo o excedente de pessoal no tocante aos três poderes, inclusive no que diz respeito aos cargos comissionados.

Cortar o exagero de servidores não significa deixar de nomeá-los onde são necessários. No INSS, por exemplo, a inovação tecnológica, 90% dos serviços via internet, permitiria dispensar parte da mão de obra outrora empregada. O temor da reforma previdenciária provocou aposentadorias em massa dos servidores e os computadores não conseguem suprir a falta generalizada de pessoal, ocasionando números escandalosos de segurados sem receber benefícios a que têm direito.

Prova de vida (algo tão fácil de fazer), requerimento de pensões, aposentadorias, licenças maternidade, agendamentos de perícia para receber ou continuar recebendo benefícios, tudo aguarda andamento em banho maria, tempo excedente aos prazos legais provocando miséria.

O governo, insensível ao sofrimento alheio, promete contratar militares e civis aposentados e submete-los a treinamento de 3 a 6 meses, a partir de quando ninguém sabe, para zerar o atraso.

“A desesperança gera angústia, insegurança, depressão, revolta contra tudo e contra todos, drogas, prostituição, violência que não se resolve só com polícia”

Trabalhadores humildes com licença medica de 30 dias estão negociando junto ás empresas adiantamento de férias, temerosos de passar fome com a família ante a demora dos benefícios.

O INSS ressente-se, há anos, da falta de concurso público para preencher cargos vagos. O governo explica, tranquilo e cheio de razões, que as carências dos segurados podem esperar, que eles precisam ter paciência em favor do Brasil. Puta que o pariu!

Concurso público além de normalizar o atendimento dos órgãos públicos, todos emperrados como o INSS, atenuaria o desemprego. Mas, segundo o governo, há emprego para todos que forem capazes, não necessariamente no Estado.

O funcionalismo público, consoante o Poder Executivo, seria um fardo de que o país precisaria libertar-se.

O ministro Paulo Guedes vê o servidor como parasita, sanguessuga exaurindo os recursos públicos. Não refere ao excesso de parlamentares e funcionários públicos que afundam com seus gastos exorbitantes a economia nacional. Junte-se a isso o apadrinhamento e a nomeação de parentes verdadeiramente parasitas.

A cegueira de caráter é pior que a dos olhos, porque impede ver e reconhecer a verdade que grita e permanece desconhecida.

josepJosé de Siqueira Silva é Cel da PMPE,
mestre em Direito pela UFPE e
professor de Direito nas faculdades
IPESU e FOCCA

Contato: jsiqueirajr@yahoo.com.br