Mais será o Benedito? Ciência Brasileira em risco: Criacionista assume a Capes

29/01/2020 às 20:17 – Por Djalma Júnior / Colunista Blog do Andros

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O novo presidente da Capes, Benedito Guimarães Aguiar Neto|Divulgação

O governo brasileiro continua a sua marcha do atraso. Assume o cargo de uma das mais importantes instituições de incentivo à pesquisa, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão ligado ao Ministério da Educação. Evangélico, Benedito Guimarães Aguiar Neto era reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie desde 2011, quando foi convidado na sexta-feira (24) pelo presidente Bolsonaro para assumir o cargo.

Defensor de estudos do chamado design inteligente, uma defesa do criacionismo travestida de ciência, advoga uma visão teológica da origem do universo, ou seja, Deus criou o universo do nada. Faça-se a luz e a luz se fez.  Vale ressaltar que a teoria evolucionista é consenso não só no meio científico. O vaticano desde 1950 em encíclica admite e não tem dúvidas de que o evolucionismo não vai de encontro à existência de Deus e sua criação.

No meio científico é também consenso que o design inteligente ou criacionismo não são ciência. Só para termos uma ideia, em 2014, o governo do Reino Unido proibiu o ensino do criacionismo ou design inteligente, como teoria científica em escolas e universidades.
O fortalecimento dessa teoria a partir da defesa pelo Presidente da Capes põe em risco o futuro da pesquisa científica em nosso país. Jornais americanos e ingleses de renome criticaram essa nomeação, citando como um retrocesso e isso irá atrapalhar o Brasil como produtor de ciência para o mundo.

“Em 2014, o governo do Reino Unido proibiu o ensino do criacionismo ou design inteligente, como teoria científica em escolas e universidades”

Outro ponto que se deve levar em consideração é a ameaça ao estado laico, premissa básica constitucional pois a defesa do criacionismo abre precedente para interferência de denominações religiosas no processo de ensino de ciências. Isso é um reflexo da fala da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos Damares Alves onde a mesma fala que é preciso que os “evangélicos perderam espaço na ciência” e que “deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas”.

Corremos o risco de, assumindo o criacionismo ou design inteligente como ciência, e assim liberando investimentos em algo que não tem comprovação científica, possamos gastar dinheiro público, ou seja, nosso dinheiro, com algo que deveria estar restrito às denominações religiosas na defesa da fé de cada um. Ciência é coisa séria, trabalha com comprovações e não com ilações. Política pública de ciência e tecnologia não deve estar a serviço de nenhuma vertente religiosa.

Djalma Júnior é jaboatonense, morador de Cajueiro Seco há 42 anos, onde vem atuando de forma incansável por uma educação de qualidade e um meio ambiente equilibrado. É professor universitário, licenciado em Química pela UFPE e Tecnólogo em Gestão Ambiental pelo IFPE. Especialista em Gestão Ambiental pela FAFIRE, além de mestrando em Gestão Ambiental pelo IFPE.  É ambientalista defensor de várias pautas como a da economia circular, gestão dos recursos hídricos e mobilidade urbana. Aqui, entre outros assuntos, vai escrever sobre ciência, tecnologia e meio ambiente.

E-mail – djalmaufpe@gmail.com – WhatsApp: 9.8753-2857

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