24/01/2020 às 16:50 – Por Celso Calheiros para o Blog do Andros 

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Frederico Garcia/Divulgação

Os avanços da pesquisa para colocar a disposição da sociedade uma vacina capaz de bloquear os efeitos da cocaína são o tema do colóquio “Vacina para usuário de cocaína: resultados de uma experiência brasileira”. O professor Frederico Garcia, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), um dos líderes da pesquisa da vacina anticocaína, falará, no Recife, sobre o trabalho que está prestes para ser testado em humano, depois dos resultados promissores com ratos e primatas.

A realização do colóquio é uma iniciativa da Secretaria de Políticas de Prevenção à Violência e às Drogas. O secretário Cloves Benevides considera importante compartilhar o trabalho liderado pelo Frederico Garcia com a sociedade, em especial, com os profissionais da área de políticas de drogas, da área de saúde, de assistência social e outros pesquisadores que trabalham o tema. “É uma oportunidade de se conhecer um estudo instigante da academia brasileira, que trata de um tema complexo, o uso de cocaína, que demanda por apoio e sob o qual a sociedade precisa ampliar o debate”, disse Cloves Benevides.

O colóquio “Vacina para usuário de cocaína: resultados de uma experiência brasileira” é o primeiro de uma série de eventos que a Secretaria de Políticas de Prevenção à Violência e às Drogas prepara para enriquecer o debate na sociedade sobre temas relacionados a políticas sobre drogas e à prevenção à violência, de uma forma mais ampla. Em 2019, a secretaria realizou diferentes eventos sobre a reinserção produtiva de usuários de drogas, justiça restaurativa e cultura de paz, entre outros.

A vacina anticocaína age no corpo como outras vacinas: induz o sistema imunológico a produzir anticorpos contra uma “ameaça”. No caso desta vacina, o sistema imune da pessoa vai reconhecer a cocaína como uma molécula estranha e combater a entrada dela no organismo, explica Frederico Garcia, um pesquisador com um currículo de 18 páginas, na Plataforma Lattes, que organiza os currículos científicos no meio acadêmico.

O interesse de Frederico Garcia pela vacina começou, em 2013, quando ele decidiu replicar uma vacina produzida por um grupo norte-americano. Sua intenção era proteger o feto em casos de gravidez no qual a mãe fosse usuária de cocaína ou crack (o crack é um derivado da cocaína). Essa aproximação com a vacina desenvolvida nos Estados Unidos o levou a ideia de trabalhar em um modelo de vacina, a partir de outra composição. “Nós testamos essa molécula e a do grupo americano. Registramos que a nova tinha um potencial maior de produzir anticorpos anticocaína”, explica o pesquisador.

O uso problemático da cocaína e derivados como o crack representa um grave problema de saúde pública e preocupa nações do mundo inteiro. Diferentes levantamentos, como o da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Fife), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU) e da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), classificam o Brasil como o segundo maior consumidor de cocaína no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Tratamento

Todo usuário tem garantido por lei o direito à assistência. O tratamento para quem abusa do álcool ou qualquer tipo de droga pode ser encontrado na rede de serviços psicossociais, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), por exemplo.

Serviço:

Vacina para usuários de cocaína: resultados de uma experiência brasileira

Dia 29 de janeiro (quarta-feira), das 9h às 13h

Auditório do Cais do Sertão

Avenida Alfredo Lisboa, s/n, no Bairro do Recife

(ao lado do Centro de Artesanato, que fica na Praça do Marco Zero)

Inscrições pela internet: bit.ly//30jLgAF