11/12/19 às 11:12 – Por José de Siqueira / Colunista Blog do Andros

Fachada do Congresso Nacional
Foto: Pedro França

Os jornais publicaram: “mais verba para eleições, menos para saúde, educação e outras áreas sociais”. Congresso vota para acrescer 1,7 bilhão ao fundo partidário, alcançando-o a 3,8 bilhões.

A farra com o dinheiro público, outrora envergonhada de se mostrar, ocultava-se na clandestinidade. Pessoas enriqueciam secreta e ilicitamente, à custa de corrupção. A roubalheira, o malbarateamento de verbas públicas, fazia-se no escondimento em obras superfaturadas de projetos astronômicos, em privatizações de bens e serviços públicos a preço de banana, em desapropriação de imóveis superavaliados para edificações e reforma agrária.

Projetos grandiosos, a construção de linhas férreas, a transposição das águas do São Francisco, a navegabilidade dos rios, aí incluso o nosso maltratado Capibaribe, foram iniciados a custo faraônico e não concluídos.

Adquiriu-se refinaria de petróleo, custando exorbitância, que nunca funcionou completamente, nunca produziu o quanto deveria produzir. Muitos dos ladrões foram processados, poucos foram julgados, menos ainda os condenados. Há os que foram absolvidos e os que sequer estão denunciados.

“A farra com o dinheiro público, outrora envergonhada de se mostrar, ocultava-se na clandestinidade. Pessoas enriqueciam secreta e ilicitamente, à custa de corrupção”

Agora, o Congresso Nacional intenta acintosamente legalizar o assalto aos cofres públicos no valor de 3,8 bilhões de reais em favor do fundo partidário para as eleições municipais do próximo ano…

Ao mesmo tempo deu nos jornais: “O grupo espanhol Iberdrola aplicará 250 milhões de euros em 15 parques eólicos, na Bahia, na Paraíba e no Piauí”.

Com a dinheirama do fundão, bem maior que o investimento da Iberdrola, quanto poderíamos melhorar na produção de bem-estar dos brasileiros?

Por que eleições têm de gastar tanto? Porque envolvem compra de apoio e voto para garantir emprego e segurança aos políticos. Facilita-se conquistar o poder e manter-se nele.

O eleitorado é massa de manobra. Memória curta. Faz por merecer os representantes que elege, colhendo a safra do seu plantio.

“Agora, o Congresso Nacional intenta acintosamente legalizar o assalto aos cofres públicos no valor de 3,8 bilhões de reais em favor do fundo partidário para as eleições municipais do próximo ano”

Voto exercitando a cidadania, mas vontade não me falta de sacrificar meu direito de sufrágio, já morre não morre, envenenado pela indignação contra condutas como essa do Congresso Nacional, dos deputados federais e senadores.

Em campanha para Presidente, Jair Bolsonaro prometeu reduzir em 20% o número de parlamentares do Congresso Nacional. Não acreditei, mas se ele prometesse corte de 50%, talvez me deixasse seduzir como a vítima gananciosa do estelionato que acredita no estelionatário porque as vantagens que oferece são atraentes. Bolsonaro prometeu o que não podia nem pretendia. Sabia que em meio a tanta aflição, tanta apertura, o povo fantasia e se deixa iludir.

Ainda bem que nem todos parlamentares são iguais. Bolsonaro, o filho de Bolsonaro, só apoiou o aumento do fundão, segundo declarou, porque confundiu-se no momento da votação. Acreditem!

josepJosé de Siqueira Silva é Cel da PMPE,
mestre em Direito pela UFPE e
professor de Direito nas faculdades
IPESU e FOCCA

Contato: jsiqueirajr@yahoo.com.br