“Às vezes os vereadores querem se apossar das atribuições do Executivo”, diz José Carlos em entrevista exclusiva

Em entrevista ao Blog do Andros, o engenheiro e Assessor Especial de gabinete da atual gestão, falou entre outros assuntos, das diferenças entre as administrações passadas e a do prefeito Anderson Ferreira, da extinção do programa “Comunidade que faz”, sobre a saída do cargo de vice no início da campanha de 2016, das principais dificuldades que a prefeitura enfrenta para resolver as situações críticas e perigosas, como alagamentos, e da atuação dos vereadores, que “às vezes querem se apossar das atribuições do Executivo”

17/07/19 às 14:44 –  Por Sidha Moitinho / Colunista Blog do Andros

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A colunista Sidha Moitinho ao lado de seu entrevistado, o engenheiro José Carlos Campos.  Foto: Andros Silva

José Carlos Campos, é uma personalidade amabilíssima, dono de um carisma natural, não precisa fingir que é gente boa, ele é gente boa de verdade! Nasceu  numa família de 4 irmãos, o primeiro irmão é economista, ele é engenheiro civil, uma irmã médica, e a outra arquiteta. Seu pai foi funcionário público federal e a mãe abandonou a área de vendas para cuidar dos filhos. Zé Carlos como gosta de ser chamado, abre um sorriso de satisfação dizendo:  “Na minha casa todos tinham que estudar.” Também lembrou com saudade suas brincadeiras na praia de Piedade pegando tartaruga e a mãe zelosa dizendo: “Olha se morder só solta quando o sino tocar!” Zé deixou claro, seu amor pela cidade, o desejo de fazer mais pela população.

Animado expôs que a política para ele e os irmãos é uma coisa bem interessante, que foi surgindo no dia a dia, os puxando devagarinho. “Eu comecei a trabalhar na Queiroz Galvão que executava centenas de obras aqui na cidade de Jaboatão. O prefeito me convidou para ser diretor de obras aos 25 anos. Eu continuei na prefeitura por 37 anos e agora me aposentei como funcionário, mas estou no gabinete do prefeito Anderson Ferreira como Assessor Especial de gabinete.” Campos também lembrou dos tempos da faculdade e do seu amor pela pátria.

Em 1982, período do regime militar, se juntou com um grupo de amigos para lutar pela anistia e pelas eleições diretas. Em 1985, João Braga coordenador da campanha de Jarbas Vasconcelos para a prefeitura do Recife, o convidou com seus amigos para trabalharem na equipe que ajudou Jarbas a ser eleito. Mas Zé Carlos preferiu permanecer trabalhando na Prefeitura de Jaboatão. Com uma risada elegante, ele acrescenta: “Em 1988 com a fundação do PSDB,  João Braga e Cristina Tavares me surpreenderam – Ao chegar do trabalho os encontrei em minha casa com o livro de fundação do Partido, me confiando a função de presidente do Partido em Jaboatão… Quando a gente menos esperou se viu dentro da Política”, relembra. 

Sidha Moitinho – Zé Carlos, você é reconhecido como um político diferenciado por sua cordialidade e gentileza no trato com pessoas. Como você vê a postura de políticos arrogantes, enganadores, que só lembram do povo na época da política?

José Carlos – Isso é muito ruim. Só querem voto, né? A gente não pode pensar politicamente só na eleição, tem que trabalhar no dia a dia, fazer o bem, dar o melhor pelas pessoas. A gente vê a carência no dia a dia das pessoas. Todos precisam de apoio, eu vejo pessoas de alto padrão procurando por algum tipo de ajuda da prefeitura. Todas as classes sociais precisam de atenção, às vezes as pessoas só estão precisando de atenção, isso é o mínimo possível. As pessoas precisam das ações públicas. A gente vê  sempre as mesmas reivindicações, as mesmas coisas pedidas: educação, saúde,  saneamento, esgoto, trânsito… São essas coisas que as pessoas pedem aos políticos e as gestões públicas. As pessoas que são arrogantes ficam distantes, e as vezes estão em determinados locais, procuram não cumprimentar as outras pessoas para se passarem por invisíveis. Meus pais me ensinaram a ter humildade, a valorizar as pessoas. Meu pai falava muito: “Olha gente, humildade, a gente nasce sem nada e não vai levar nada!” Me formei como engenheiro, e jurei ter humildade e ética profissional. É isso que eu prego, os ensinamentos do meu pai.”

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“Olha gente, humildade, a gente nasce sem nada e não vai levar nada!” Me formei como engenheiro, e jurei ter humildade e ética profissional. É isso que eu prego, os ensinamentos do meu pai.” Foto: Andros Silva

SM – Qual foi sua função na gestão de Elias Gomes?

ZC – Em 2008 fui coordenador da campanha de Elias para prefeitura, após a eleição fui convidado para ser o secretário de Administração Regional. Então as regionais foram criadas para descentralização administrativa, criamos as regionais, afim também de aproximar mais a população da gestão. As regionais estão funcionando, devem melhorar ainda mais para atender melhor. Antigamente, eram centenas de pessoa para cima e para baixo atrás da prefeitura, parecia uma feira. Hoje não temos mais tanta gente demandando dentro das prefeituras, é uma função das regionais. As regionais funcionam como pequenas prefeituras. Eu implantei as 6 (seis) regionais, adequando o modelo da cidade de Curitiba. Em São Paulo tem, mas funciona como subprefeituras, no nosso caso é apenas como descentralizadoras. Quanto mais o gestor aprimorar as regionais mais ele se aproxima da população e também dar mais resultados da prestação de serviços públicos.

SM – Você trabalhou em outras gestões aqui em Jaboatão. Poderia mostrar para nossos leitores quais são as principais diferenças entre as administrações passadas e a do prefeito Anderson Ferreira?

ZC – As diferenças são positivas na gestão do prefeito Anderson Ferreira, ele é bem intencionado, tem a vontade de fazer o que a cidade precisa. Estamos nos esforçando para nos aproximar cada vez mais da população. Anderson é uma pessoa mais moderna em relação aos outros, sempre procurando tecnologias de inovação, trabalhando com recursos tecnológicos. Com os avanços tecnológicos e a utilização de tais tecnologias  melhora os serviços públicos. Com certeza melhora tanto a parte administrativa como a operacional de serviços públicos, como por exemplo, educação e segurança.

Agora está sendo implantada a rede de tratamento de esgoto na cidade com uma parceria privada e com a COMPESA. As pessoas confundem muito a drenagem com tratamento de esgoto. Neste momento é a rede de tratamento de esgoto.

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“O prefeito me convidou para ser diretor de obras aos 25 anos. Eu continuei na prefeitura por 37”, comenta Carlos relembrando o tempo de vida pública. Foto: Andros Silva

SM – Existia na gestão de Elias um projeto bem interessante, “Comunidade que faz,” Porque a gestão de Anderson não deu continuidade?

ZC – “Comunidade que faz” não funcionou direito porque a comunidade não tomava conta do material direito, se gastava o dobro de recursos, tinham muitos serviços que demoravam demais, porque as pessoas não tinham hora para pegar, então… Não tinha produtividade. Neste projeto é importante que se contrate pedreiros, encanadores, da própria comunidade, para estimular a própria comunidade, assim também eles tomam conta do material que vão usar.

Os vereadores começaram a se apoderar do projeto dizendo que eles que estavam fazendo. Vereador não faz esse papel. Esse não é o papel do vereador. O papel do vereador é fiscalizar o Executivo, elaborar as leis e não executar. Tem que fiscalizar para saber se o dinheiro público está sendo bem empregado. Às vezes os vereadores querem se apossar das atribuições do Executivo. Não é para ter uma prefeitura paralela, não é pra ter por exemplo, ambulância… Acabam fazendo um assistencialismo, né? Por isso devem fazer o papel deles, que é fiscalizar.

SM – Para os pensadores gregos, virtudes ético-políticas precisam está presentes na convivência humana, assim como a autossuficiência do cidadão, e a sua conexão com as autoridades da classe política, afim de que todos vivam numa cidade feliz.  Você acredita que o cidadão de Jaboatão está feliz com a condução administrativa presente?

ZC – De certo modo eles estão sempre reivindicando, em qualquer gestão, mas cabe a gestão atender da melhor maneira possível, dando o melhor de si. Nas questões de mobilidade, de habitabilidade, na área da saúde, educação… O futuro do Brasil é a educação. Eu já fui professor, eu vejo que hoje os governos dão o que podem para educação, dá o material didático, o fardamento, merenda escolar, até Laptop, mas os alunos vão pra escola, até por estas coisas, não sabendo, não tendo consciência que ali está uma grande oportunidade para ser alguém na vida, e que estão perdendo esta oportunidade. Todo professor deve diariamente dizer na sala de aula: “Não percam esta oportunidade.” Todo mundo é inteligente, se usar a sua inteligência para aprender consegue atingir seus objetivos.

A gestão sempre fazendo o que pode, mas sempre existindo necessidades para resolver. Ainda vamos ver Jaboatão uma cidade feliz e desenvolvida no que ela precisa e merece.

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“Ainda vamos ver Jaboatão uma cidade feliz e desenvolvida no que ela precisa e merece”. Foto: Andros Silva

SM – Como engenheiro civil, você sabe dos riscos de termos tantos postes inclinados com perigo de cair a qualquer momento. O Blog do Andros, já fez uma nota falando sobre um poste  que está se sustentando apenas no muro de uma casa, a prefeitura disse para as pessoas envolvidas que não tem nada com isso, a CELPE por suas vez disse que são os moradores que devem pagar o prejuízo, o que é um absurdo! Eu já sei que você não pode me dar uma solução agora. Por isso conte para nossos leitores sobre seu projeto com CREA.

ZC – Eu sou conselheiro do CREA- PE (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado Pernambuco), conversei também com o presidente da ABEC (Assessoria de Engenheiros Civis), e com o presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco, todos conhecidos meus. O presidente do CREA me convidou  para ser inspetor aqui em Jaboatão e na cidade de Moreno. Eu tenho um projeto (Técnico Social de Engenharia Civil), para colocar a engenharia a serviço da sociedade. Como é isso? O engenheiro civil tem a sensibilidade de identificar riscos, de um teto desabar, de uma marquise cair… Eu não passo debaixo de marquise, quando tenho que passar ao lado de muro com terreno desocupado eu me afasto do muro porque existe o risco do desabamento. O engenheiro estará a serviço da sociedade, seria o trabalho técnico social, o engenheiro, vendo a necessidade, tira a foto, e através de um parecer padronizado, encaminha para o CREA  que fará a triagem para ver o risco e encaminharia para as comissões de defesas civis dos municípios e dos estados, isso evitará o risco do desabamento e de machucar ou matar as pessoas.

SM – Quais são as principais dificuldades que a prefeitura enfrenta para resolver as situações críticas e perigosas  que muitas comunidades enfrentam como  alagamentos, e a invasão do esgoto em suas casas, entre centenas de outras, cito como exemplo a rua Lago do Junco em Loreto?   

ZC – O município tem que fazer a rede de tratamento de esgoto. Por várias décadas nunca tiveram um olhar para o esgotamento sanitário. É uma obra cara, que precisa ser  integrada com de rede esgoto, a drenagem, fazer a pavimentação, a urbanização da área. Não depende só da receita do município, tem que ser com o Governo do Estado e com a união, precisa de recursos para levar esta rede de tratamento de esgoto. Existe a gerência de controle urbano que precisa ser mais estruturada para fiscalizar as invasões que também geram mais dificuldade nestas áreas, precisa ampliar mais, para dar conta. O prefeito Anderson Ferreira vê muito a questão  social, educação, saúde, não esquecendo a infraestrutura da cidade que é muito grande.  259km quadrados, tem vias em áreas rurais, áreas urbanas, tudo precisa ser mantido e ampliado.

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“O prefeito Anderson Ferreira vê muito a questão social, educação, saúde, não esquecendo a infraestrutura da cidade que é muito grande.” Foto: Andros Silva

SM – Quais são seus pontos turísticos preferidos aqui no município? Sabe nos dizer o porquê de um potencial desta natureza continuar negligenciado? Uma vez, classificados como fonte poderosa, contribui para o desenvolvimento e a ampliação do mercado de trabalho.

ZC – Um potencial muito rico tem Jaboatão, acho que é, a orla marítima. Tem outros pontos turísticos como a Lagoa Azul, a Colônia dos Padres em Jaboatão Centro, área rural, as casas de engenho… O turismo é uma fonte de receita. Os pontos turísticos de Jaboatão precisam ser incrementados. O Monte dos Guararapes, montar ali teleférico (quem sabe!). Tem situações que o governo já se pronunciou em relação ao turismo. O Hotel Dori sol, já foi um grande hotel que recebeu grandes nomes. O prefeito já terminou o projeto para fazer o calçadão na orla, está em busca de recursos para colocar em ação. A Lagoa do Náutico tem potencial turístico também.

SM – No início da campanha de 2016 para prefeito, você saiu como vice de Anderson Ferreira, mas no meio do caminho, Valois  ficou em seu lugar. As pessoas ainda desejam saber os motivos? Foram pessoais ou políticos?

ZC – Estávamos indo bem, a campanha indo muito bem, mas houve um erro na data de filiação, o juiz me notificou, prestei  os  esclarecimentos com as provas documentais que comprovavam que me filiei na data correta. Como o juiz demorava para dar o parecer, achei melhor sair para não prejudica a campanha. E  Valois estava com a candidatura para vereador deferida, ele estava habilitado para me substituir

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José Carlos Campos posa para as lentes de Andros Silva

SM – Quais são as suas pretensões para seu futuro político?

ZC – Estou à disposição da cidade, dá o meu melhor pela cidade, estou engajado na reeleição do nosso prefeito. Ele tem direito a reeleição por lei, sou aliado do prefeito Anderson Ferreira, e estamos com ele.

Contato com José Carlos: Email: engenheirojosecarlos@hotmail.com

siSidha Moitinho é uma baiana que cresceu em Brasília, apaixonada por Pernambuco, mora em Jaboatão dos Guararapes há mais de 18 anos, cidade que ama e pela qual luta. É comunicadora social, bacharel em teologia, pastora, cineasta, coordenadora literária e escritora. Sidha ama escrever para crianças, atualmente vem promovendo seu conto infantil ‘Paulinho e o Vento’.

Contato: sidha.moitinho@gmail.com

 

Outros detalhes

José Carlos Campos é engenheiro concursado da Prefeitura de Jaboatão, já foi secretário de Controle Interno no governo de Fernando Rodovalho e secretário de Administração Regional no governo de Elias Gomes, além de ex-secretário de Habitação e Saneamento da gestão Anderson Ferreira e ex-secretário de Viação e Obras Públicas no governo Fagundes de Menezes. Carlos participou ainda dos governos de Geraldo Melo e Humberto Barradas como Diretor de Obras. 

Agradecimentos

O Blog do Andros agradece ao Hotel Golden Beach, localizado em Piedade, que cedeu seu espaço para a entrevista e sessão de fotos. 

Nova temporada

Visando o conteúdo autoral e exclusivo, o Blog do Andros inicia uma nova fase de entrevistas. Nesta nossa temporada, vamos em busca de respostas das grandes personalidades da cidade, dos grandes pensadores que de alguma forma trabalham para o bem estar do município, sempre questionando e deixando a linha do “papinho de comadre”, bem longe de nossas publicações. Questionar ainda mais, trazendo respostas precisas e necessárias, será nossa marca daqui em diante.

Créditos

Texto e entrevista: Sidha Moitinho
Fotos e direção: Andros Silva
Revisão e edição: Nizinha Lins

Um comentário em ““Às vezes os vereadores querem se apossar das atribuições do Executivo”, diz José Carlos em entrevista exclusiva

  1. Sandra Helena Queiroz Da Silva disse:

    Suas entrevistas Sidha Moitinho sempre nos leva a pessoas íntegras.
    Vc está de parabéns colunista de grande eloquência.
    Bj no seu coração, minha irmã.

    Curtido por 1 pessoa

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