Polêmica da dessalinização esconde uma série de interesses

24/12/18 às 11:54 – Por Djalma Júnior / Colunista Blog do Andros

dessalinizacao-bolsonaro

Fotos: Rafael Carvalho/Flickr

Desde que o candidato Jair Bolsonaro consolidou sua vitória nas urnas que seu processo de transição está cercado de polêmicas desde a escolha dos seus ministros com posicionamentos morais conservadores e posicionamentos que vão de encontro às decisões alinhadas em tratados internacionais. Essa semana o governo Bolsonaro anunciou com pompa e circunstância uma solução a ser buscada em Israel para a falta de água no semiárido nordestino, porém essa tecnologia já é realidade no Brasil desde 2004, quando o Governo Federal lançou o programa Água Doce.

Coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), a ação atende hoje 230 mil pessoas e não conta com parceria do governo israelense. Segundo o ministério, a tecnologia “é a mesma utilizada nas grandes usinas de dessalinização instaladas pelo mundo”. É importante salientar que o semiárido é um local onde não se combate a seca, por ser um fenômeno climático. Seria inconcebível combatermos a chuva e o vento, concorda? A solução está em desenvolver ações de convivência com o semiárido, adaptando-se às suas condições, respeitando a tradição local, tendo assim um desenvolvimento local sustentável.

O grande entrave na resolução do problema do semiárido é justamente a importação de ideias pré-concebidas, onde não se escuta os anseios da população local, ela sim, sabe o que é preciso para resolver suas angústias. Existem exemplos de grandes pesquisadores brasileiros que veem desenvolvendo técnicas levando em consideração a realidade local. A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (EMBRAPA) desenvolvem tecnologia de ponta na área de dessalinização principalmente por osmose reversas.

Ações combinadas de construção de cisternas, dentre outras tecnologias mais simples podem ser eficazes em situações pontuais. Todos sabemos que existem outros interesses envolvidos nessa parceria Brasil – Israel. A ideia de fortalecer as relações entre Brasil e Israel foi sacramentada quando Bolsonaro declarou, assim que foi eleito, que iria transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. Essa decisão passa pela expectativa de o Brasil aumentar suas exportações para aquele mercado. A balança comercial com o país foi desfavorável ao Brasil em US$ 767 milhões no ano passado.

djalmapDjalma Júnior é jaboatonense, morador de Cajueiro Seco há 42 anos, onde vem atuando de forma incansável por uma educação de qualidade e um meio ambiente equilibrado. É professor universitário, licenciado em Química pela UFPE e Tecnólogo em Gestão Ambiental pelo IFPE. Especialista em Gestão Ambiental pela FAFIRE, além de mestrando em Gestão Ambiental pelo IFPE.  É ambientalista defensor de várias pautas como a da economia circular, gestão dos recursos hídricos e mobilidade urbana. Aqui, entre outros assuntos, vai escrever sobre ciência, tecnologia e meio ambiente.

E-mail – djalmaufpe@gmail.com – WhatsApp: 9.8753-2857

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