26/11/18 às 14:32 – Por Djalma Júnior / Colunista Blog do Andros

SMARTCITIES
Estudos mostram que em busca de uma modelo de cidade mais inclusiva e sustentável, serão investidos entre US$ 930 Bilhões e US$ 1,7 Trilhões até o ano de  2025. Foto: Reprodução do site strate.education

A cidade é o local onde tudo acontece. Nosso Habitat. Quando a cidade é dita “inteligente”, cidadãos e os serviços estão conectados, apropriando-se dos conceitos de sustentabilidade, como o uso de energia limpa, reaproveitamento da água, gerenciamento dos resíduos sólidos, usufruindo assim de serviços públicos de qualidade.

As cidades inteligentes também tem como objetivo a criação de laços culturais entre as pessoas, oportunizando desenvolvimento econômico e qualidade de vidas aos cidadãos.

Estudos mostram que em busca de uma modelo de cidade mais inclusiva e sustentável, serão investidos entre US$ 930 Bilhões e US$ 1,7 Trilhões até o ano de 2025. Porém, muito mais do que investimentos, as cidades, para serem inteligentes, necessitam de projetos e ações que tenham a governança no centro da discussão. Governos, Sociedade Civil e empresários devem ser protagonistas nesse processo.

A iniciativa privada vem se reunindo e mostrando interesse pelo Mercado das SmartCities. Soluções vêm sendo apontadas visando atender os interesses da população como a inserção de tecnologias sustentáveis, a inclusão urbana, ao contrário do isolamento periférico que existe nos dias de hoje, educação agregadora, evitando a radicalização, estímulo do debate de temas como meio ambiente, gênero e orientação sexual, foco na educação social e inclusiva até os 18 anos e o planejamento urbano, com cidades mais acessíveis, garantindo o direito de ir vir das pessoas, principalmente nas periferias. A cidade também precisa ser saneada e com cobertura da água e esgoto tratado para todos. É um direito e não um favor que os governos estaduais e municipais fazem.

Com esses novos atributos, as cidades terão uma maior oferta de emprego no setor público e privado em áreas como hospitalidade e da economia criativa, que é um conceito que está intimamente ligado às cidades inteligentes que passa pelo estímulo da cultura local, transformando-a em um produto com potencial econômico.

É necessário que os cidadãos ocupem a cidade e cobrem de seus gestores, políticas públicas de mobilidade, acessibilidade e tecnologias inclusivas. Uma cidade baseada na conectividade e no compartilhamento de experiências.

Outro ponto a se considerar é a implementação de práticas sustentáveis que passa primeiramente por soluções inteligentes de transporte e priorização do transporte público. Mas para isso é necessário ter um transporte confortável e que faça o cidadão deixar seu carro em casa. Porém essa questão é cultural. Instrumentos de sensibilização, além de legislações mais restritivas como revezamento de placas devem ser pensadas, caso o desejo da maioria seja violentado.

As novas tecnologias, agregadas ao conceito das cidades inteligentes, poderão oferecer oportunidades para pessoas trabalharem em sua casa, evitando deslocamentos nas cidades, através do transporte individual.

A flexibilização nos horários de trabalho é algo a se pensar. A quebra da lógica do horário “comercial” padrão, poderia reduzir os grandes deslocamentos de pessoas num mesmo horários, os chamados horários de pico.

Teremos, nos próximos anos, com certeza mudanças significativas nos espaços públicos. O conceito de SmatCities, ou simplesmente Cidades Inteligentes, ganha forças nas grandes cidades, e em breve, quer queira, quer não, estará batendo nossas portas. Precisamos estar preparados para essas mudanças. Num ambiente onde a degradação ambiental é crescente e o acirramento político e religioso é uma realidade no Brasil, incertezas surgem depois de uma grande polarização e carnificina eleitoral. Faltaram propostas e respeito às minorias.

As cidades inteligentes podem ser um contraponto a isso, trazendo o conceito da inclusão, soluções compartilhadas e serviços públicos eficazes, oferecendo ferramentas para vivermos numa sociedade mais solidária e sustentável.

E aí, você que está nos lendo, acha que seu prefeito está caminhando para tornar sua cidade uma Smartcities ou continua na “burrice” de uma cidade que não cuida do meio ambiente, da mobilidade urbana e da educação? Deixo aqui o questionamento.

djalmapDjalma Júnior é jaboatonense, morador de cajueiro Seco há 42 anos, onde vem atuando de forma incansável por uma educação de qualidade e um meio ambiente equilibrado. É professor universitário, licenciado em Química pela UFPE e Tecnólogo em gestão ambiental pelo IFPE. Especialista em gestão ambiental pela FAFIRE, além de mestrando em gestão ambiental pelo IFPE.  É ambientalista defensor de várias pautas como a da economia circular, gestão dos recursos hídricos e mobilidade urbana. Aqui, entre outros assuntos, vai escrever sobre ciência, tecnologia e meio ambiente.

E-mail – djalmaufpe@gmail.com – WhatsApp: 9.8753-2857