Entrevista: Amauri Nascimento é Pernambucanidade

“Graças a Deus tenho tido uma grande aceitação por parte da mídia pernambucana, as minhas agendas sempre estão no NE1 da Globo, TV Jornal e TV Clube”, ressalta Amauri, músico premiado no 9º Prêmio da Música de Pernambuco

19/11/18 às 16:25 – Por Sidha Moitinho / Colunista Blog do Andros

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Amauri, entre palavras e risos, diz que o sucesso tem a ver com fazer o que ama. Foto: Divulgação

Este pernambucano irradia leveza e muito talento! Amauri Nascimento tem presença de palco marcante e sem fazer esforço, nos contagia e encanta, harmonizando graça e sonoridade. A sua alma de artista transcende em sua Pernambucanidade aflorada em canções que fazem o corpo balançar e risos revoarem ao som da sua musicalidade. Amauri se deixa ver em versos e melodias que retratam sua essência regional, deixando-nos apreciá-lo através do brilho do seu lado mais íntimo, seu próprio coração.

Amauri evoca do seu eu verdadeiro, o cantor que espalha as suas raízes. Quem é sensível à voz da arte sente imediatamente que o cantor Amauri Nascimento não está representando um personagem midiático. De fato seu amor à arte de cantar seu chão, sua terra, suas raízes, mostra-nos o amor ao Pernambuco Imortal com sua cultura plural, que tanto nos maravilha. Sem dúvida, ganhar fama e dinheiro é uma coisa boa, e ele não rejeita a naturalidade do sucesso que trás seus múltiplos benefícios.

Entretanto para o artista de raiz, os dividendos não são o fim, e sim a consequência de um trabalho realizado no trançado da entrega, da paixão e da dedicação. Amauri, entre palavras e risos, diz que o sucesso tem a ver com fazer o que ama, e amar o que faz sem amarras atreladas ao mercado musical, propriamente dito, e talvez seja essa uma barreira  a ser vencida por todo artista que sente e pensa como ele. Amauri Nascimento faz da sua cultura um caminho pelo qual se revela um artista de estrela maior. Sem dúvida, sua música está contribuindo com o cenário da arte musical brasileira e nordestina, para ser mais exata, com a música pernambucana que evoca nas suas raízes a sua beleza ímpar, pertencentes a todos nós.

Nascido em Recife, filho de seu Amauri e de dona Fátima, é o irmão mais velho de Aline e Wanderson, graduado pela Universidade Federal de Pernambuco e Mestre em Administração pela Universidade Rural de Pernambuco, ainda exerce a função de Analista Administrativo, porém nos fins de semanas, feriados e em eventos especiais esquece a vida cotidiana e sobe nos palcos para brilhar. Amauri não para, está sempre buscando conhecimento e inovações para melhor apresentar-se para seu público que, aliás, está em contínuo aumento.

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O cantor faz da sua cultura um caminho pelo qual se revela um artista de estrela maior. Foto: Divulgação

Entre muitas especializações, já fez percepção em solfejo, oficina, teoria musical, técnica vocal, Coaching musical, canto… Sua voz é seu instrumento mais valioso, esclarece Amauri. O cantor abre-se num sorriso travesso para confessar: “Toco um tecladinho com aquelas garras de galinha, que o pessoal chama, né?! Toco só para estudar.” A simpatia e o cavalheirismo fazem parte da natureza especial deste admirável cantor pernambucano que começou sua carreira há 14 anos no coral cênico regido pela maestrina Elijane Áurea, que juntava teatro e músicas próprias.

Uma passagem da vida do cantor chamou minha atenção de modo especial, quando ele faceiramente, e de certa forma, sem se dá conta do gigante que venceu, narrou: “Quando eu era menino, demorei 3 meses para dizer para minha professora que eu não me chamava Amauri Medeiros, e sim Amauri Nascimento. Eu era muito tímido.” Um dia o menino Amauri Nascimento, saiu de casa decidido a mudar aquela situação e deixar claro quem ele era. Desafiou a si mesmo, e venceu o monstro que desejava mantê-lo dominado a timidez.

Concretamente sua atitude culminou em um divisor de águas que mudaria toda a sua vida. Amauri a partir daquele dia foi crescendo robustamente à medida que ouvia as canções regionais que seus pais gostavam. O amor pela música regional  imprimiu em seu ser a inspiração das suas canções. Sua trajetória de vida contribui para Amauri Nascimento ser o grande artista e cantor que é. Para sabermos mais sobre este cantor incrível do qual o Brasil ainda vai ouvir e falar muito. Vamos a um bate bola, e se precisar a gente prorroga para o segundo tempo.

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“Ninguém faz nada sozinho, é uma grande ilusão chegar e dizer: isso que eu tenho, fiz sozinho”, diz o artista reconhecendo a ajuda que recebeu de pessoas entusiastas de sua carreira. Foto: Divulgação

Sidha Moitinho: Depois que você saiu do coral cênico-Muganga, você estudou na Escola de Arte de Pernambuco, passou por diversas bandas, experimentou alguns estilos musicais dentro desta pegada regional até finalmente ter a sua banda, a Doctor Vôt. Por que você, então, resolveu seguir sozinho?

Amauri Nascimento: A banda foi formada em 2013, éramos eu, Athos Thiago, Dani Cabral, Gabriel Conolly, Jonas Nascimento e João Victor, naquele momento estávamos com um olhar mais empreendedor, mas depois cada um seguiu seu destino, somos amigos, trabalhamos ainda juntos e quem sabe, um dia desses, a gente se encontra para fazer um show com a banda Doctor Vôt.

SM: Qual é o valor das pessoas que o apoiam na vida e na música?

AN: Tive a ajuda de muitas pessoas, muitas! Não seria justo se eu não as reconhecesse. Ninguém faz nada sozinho, é uma grande ilusão chegar e dizer: isso que eu tenho, fiz sozinho. Tive a ajuda de diversos profissionais, de vários artistas, donos de estabelecimentos, fotógrafos e muitos outros… A todas as pessoas que me apoiam tenho uma enorme gratidão: Irah Caldeira, Beto do Bandolim, Rogério Samico, Rodrigo, André Rio, Cristina Amaral, Wellington Sila e Jesell Augusto, Jailton Arruda e tantos outros.

SM: Onde você costuma se apresentar?

AN: Já me apresentei em espaços consagrados com grandes nomes da música pernambucana como, por exemplo, André Rio. Nossos shows tem acontecido em diversas casas aqui do Recife. Tocamos no Bar Última Sessão em Iputinga, realizamos apresentações na associação dos servidores da Sudene. Estamos sempre prontos e abertos para as oportunidades que surgem. Ano que vem iremos para a Casa de Bamba no Espinheiro. Tenho sempre oportunidades, graças a Deus!

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“Já me apresentei em espaços consagrados com grandes nomes da música pernambucana como, por exemplo, André Rio”, relembra o músico considerando a importância de se apresentar ao lado de grandes nomes da música pernambucana.

SM: Por você ser um cantor de música regional, as datas sazonais interferem  de modo positivo ou não?

AN: A quantidade de shows varia muito de uma época para outra. Natal, fim de ano, carnaval, São João. Existem diferentes movimentos nas apresentações dependendo da sazonalidade, mas pelo menos duas apresentações por mês acontecem.

SM: Você tem o apoio da mídia local para divulgar o seu trabalho?

AN: Graças a Deus tenho tido uma grande aceitação por parte da mídia pernambucana, as minhas agendas sempre estão no NE1 da Globo, TV Jornal, Encontro dos Artistas, TV Clube. Conto também com as mídias eletrônicas. Meus agradecimentos a João Alberto, Fernanda Machado,  G1, Jornal do Comércio. Estou sempre com Jailton Arruda no programa Juntos e Misturados da Tropical FM, também nas rádios comunitárias, Transamérica, Rádio Folha, Rádio jornal, Rádio Clube. E ainda, tenho a generosidade de programas locais de TV, como o da apresentadora Valesca Andrade na TV Nova, Artur Tigre da Tribuna, Beto Café. E trabalho nas redes sociais diretamente linkado com meu público.

SM: Quais são as dificuldades que o músico pernambucano enfrenta?

AN:  É muito mais difícil  para quem não faz um tipo de trabalho tão massivo. Quando falamos em linha, vemos que se escuta muito o sertanejo, funk, brega funk e todas as variedades do novo brega. O mercado deveria absorver a todos de igual modo, Não deveria ser só para aquilo que vende em escala. As vezes desqualificando o artista, isso coloca em risco toda uma cadeia.

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‘Carnaval da Alegria’ e ‘Dança de Ciranda’ são canções que Amauri prepara para o Carnaval 2019. Foto: Divulgação

SM: Como você pensaria uma solução para demolir as barreiras encontradas?

AN: É importante a democratização de acesso as políticas culturais como também a garantia de espaços. A gente carece de uma profissionalização maior, de mais respeito ao profissional. Trabalhos bem feitos surpreendem com os resultados. Pela quantidade do que se produz aqui, a gente tinha de ter uma postura mais profissional no jeito de fazer a coisa e no respeito ao profissional. É muito importante o respeito ao ofício do artista e a arte.

SM: Gostaríamos que você compartilhasse sobre seus trabalhos  realizados e dos  que estão chegando por aí.

AN: Gravei com Doct Vôt um EP (Extended Player) – Álbum com 4 faixas. Miragem Tropical é a minha primeira música solo. Com o clip de Miragem Tropical,  recebi  o Prêmio da Música de Pernambuco 2018, com a participação de Irah Caldeira. A música é de minha autoria e a produção de Rogério Samico. Flor de Maracujá foi lançada logo depois de Miragem Tropical. DJS. JR. E Michel fizeram o remix de Flor de Maracujá.

Na música ‘Calor’ temos Fábio Valois e guitarras de Luciano Magno. A música Loucura compôs a pedido de Nega do Babado com minha participação na faixa. Estamos para lançar duas belíssimas canções, ‘Acalanto’ e ‘Acorda Flor’ de autoria de Zé Manoel.
Para o carnaval teremos as músicas ‘Carnaval da Alegria’, cantam junto comigo, Thiago Kehrle e Zé Renato, simultaneamente a música ‘Dança de Ciranda’ tá vindo também para arrebentar no carnaval. Carmen Lúcia Couto e Lê Guedes são os autores das duas músicas citadas. (REVER)

SM: Você ganhou o Prêmio da Música de Pernambuco. Parabéns pela grande e belíssima conquista! Qual é a importância deste Prêmio para sua carreira?

AN: Para mim ganhar este prêmio foi um sinal de que estou no caminho certo. Muito importante poder estar ao lado de artistas que tanto me inspiram. Ser indicado já é um presente, ganhar então. Muita honra e gratidão por essa conquista.

SM: Como Amauri Nascimento se sente hoje em relação ao que conquistou?

AN: Estou muito feliz, sinto satisfação, gratidão com que já conquistei. Sou grato a Deus e aos amigos que me apoiam e aos meus fãs, mas não estou acomodado, quero levar minha música de raiz para todo Brasil e voar com ela pelo mundo.

SM: Amauri Nascimento, deixo registrado que Jaboatão dos Guararapes abre as portas para te receber como filho ilustre da música pernambucana e que nós queremos que você faça parte da nossa cidade. Venha cantar pra gente!

AN: Como bom pernambucano já me sinto parte desta linda cidade. Aceito o convite com carinho. Espero em breve estar aí cantando e levando meu trabalho para vocês! Um grande abraço e obrigado pela deliciosa conversa, querida Sidha.

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Prêmio da Música de Pernambuco: Amauri Nascimento foi premiado na categoria Melhor videoclipe com a música ‘Miragem Tropical’. Foto: Divulgação

Em tempo… Enquanto finalizava a entrevista com o cantor Amauri Nascimento, minha alma se elevou para refletir sobre as maravilhas das coisas que o Senhor Deus criou. Todas elas tão perfeitas, imensuravelmente fascinantes.  Ao nos trazer a existência Deus nos entregou habilidades, dons e talentos, e a ciência para produzir arte, fenômeno tão importante para a expressão da humanidade. A música é um desses processos criativos mais profundos que o homem tem a competência para realizar. Isto é tão perfeito, tão fantástico, tão belo, e está disponível a todos mediante a graças e a bondade do Deus Criador.

siSidha Moitinho é uma baiana que cresceu em Brasília, apaixonada por Pernambuco, mora em Jaboatão dos Guararapes há mais de 18 anos, cidade que ama e pela qual luta. É comunicadora social, bacharel em teologia, pastora, cineasta, coordenadora literária e escritora. Sidha ama escrever para crianças, atualmente vem promovendo seu conto infantil ‘Paulinho e o Vento’.

Contato: sidha.moitinho@gmail.com

2 comentários em “Entrevista: Amauri Nascimento é Pernambucanidade

  1. Sandra Queiroz disse:

    Conheci o Amauri em um domingo à tarde, convidada por Sidha Moitinho para assistir a este grande talento.
    Foi um final de tarde maravilhoso, pois o Amauri nos recebeu com muita alegria e simpatia.
    Parabéns Sidha!
    Seu blog está uma constelação.
    Bjão

    Curtido por 1 pessoa

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