Saneamento básico em Jaboatão dos Guararapes parece ser para poucos

19/11/18 às 14:19 – Por Djalma Júnior / Colunista Blog do Andros

saneamento_correio24h

“Os grandes municípios entregam à iniciativa privada os grande lucros e socializa os prejuízos com a maioria da população”. Foto: Correio 24h

A falta do saneamento básico é um dos graves problemas dos municípios brasileiros. Segundo pesquisa, quase metade da população brasileira sofre com problemas de esgoto a céu aberto.  Jaboatão dos Guararapes, segunda maior cidade de Pernambuco, é o segundo pior município em saneamento no Brasil. Os dados foram coletados a partir do ranking do Instituto Trata Brasil, que é uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, formado por empresas com interesse nos avanços do saneamento básico e na proteção dos recursos hídricos do país.

A pesquisa tem como amostra 100 cidades mais populosas do Brasil. Apesar de Jaboatão dos Guararapes apresentar o acesso a água de 74% das pessoas, tem menos de 7% (6,66%) do esgoto tratado. A falta de saneamento atinge, em sua maioria, a população mais carente do município, está vinculada à falta de sensibilização ambiental das pessoas no gerenciamento do lixo por exemplo. Existe uma expressão que já virou clichê na gestão pública que cada 1 real investido em Saneamento, são 3 reais economizados em Saúde, porém é algo que fica nos discursos de campanha eleitoral, pois existe outra expressão que diz que saneamento não é prioridade pois não “dá voto” por ficar “debaixo da terra”.

Essa é uma realidade fruto do descaso do tema das várias gestões. O início da Parceria Público-Privada do Saneamento entre Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes e BRK Ambiental fez a cidade subir algumas posições saindo da vice lanterna para a 85 posição em ranking de 2018. Esses dados não isentam o prefeito Anderson Ferreira e suas políticas na área de saneamento e meio ambiente que são inócuas. O bairro de Candeias já vem recebendo ações de implantação do sistema de esgotamento sanitário. Críticos questionam o baixo percentual de ampliação, planejada para sair dos atuais 7% para 17%, e a elitização da implantação, contemplando apenas bairros das áreas mais nobres como Piedade, Candeias e Barra de Jangada.

Essas críticas são pertinentes e passam por um debate mais amplo que tem como foco a mudança do marco legal do saneamento, tirando a titularidade dos municípios os serviços de saneamento, afastando assim a população mais pobre do acesso ao saneamento básico. No Brasil, e especificamente em Jaboatão dos Guararapes, há uma tendência de justificar a escolha das localidades a partir de um critério de que se escolhem áreas “regularizadas” para o oferecimento da água potável e o saneamento, porém esses mesmos moradores são lembrados em época de eleição, quando são feitas uma série de promessas de solução desses problemas, ou seja, os irregulares são incluídos na hora do voto, mas não nas estatísticas do planejamento urbano, sendo tratados como cidadão de segunda categoria.

Essa estratégia mascara um pouco os dados, dando a impressão de um avanço significativo nos percentuais de áreas saneadas. As PPP (Parceria Público-Privada) têm uma visão mercadológica do saneamento e da água. Os grandes municípios entregam à iniciativa privada os grande lucros e socializa os prejuízos com a maioria da população.
A cidade de Jaboatão dos Guararapes precisa olhar o saneamento na perspectiva da integralidade com a habitação, transporte e meio ambiente, pois são eixos que interferem no crescimento sustentável das cidades.

A inclusão de inclusão das comunidades periféricas no processo de universalização é um direito de todos e quase sempre essas parcerias se utilizam da justificativa de que esses espaços não possuem viabilidade financeira. Se continuarmos com esse pensamento, não iremos resolver o problema do saneamento, muito pelo contrário, vamos dividir a cidade de Jaboatão em duas: uma rica com saneamento de qualidade e outra pobre sem saneamento e com pessoas doentes.

djalmapDjalma Júnior é jaboatonense, morador de cajueiro Seco há 42 anos, onde vem atuando de forma incansável por uma educação de qualidade e um meio ambiente equilibrado. É professor universitário, licenciado em Química pela UFPE e Tecnólogo em gestão ambiental pelo IFPE. Especialista em gestão ambiental pela FAFIRE, além de mestrando em gestão ambiental pelo IFPE.  É ambientalista defensor de várias pautas como a da economia circular, gestão dos recursos hídricos e mobilidade urbana. Aqui, entre outros assuntos, vai escrever sobre ciência, tecnologia e meio ambiente.

E-mail – djalmaufpe@gmail.com – WhatsApp: 9.8753-2857

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