Entrevista: O Blog do Andros conversou com Marcos A. Junior, autor de ‘Herbert Flinch – O Manipulador de Sonhos’, ‘Cem dias na prisão’ e ‘O livro do Amor’

28/06/18 às 10:19 – Por Andros Silva

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Marcos A. Junior / Foto: Divulgação

Em entrevista ao Blog do Andros, o escritor recifense, radicado em Jaboatão, Marcos A. Junior, que atualmente reside no bairro de Candeias, autor de ‘Herbert Flinch – O Manipulador de Sonhos’, ‘Cem dias na prisão’ e ‘O livro do Amor’, falou sobre seus trabalhos literários e das comparações de obras consagradas do cinema com seus escritos. “Afirmo que alguns leitores, ao finalizarem a interpretação, me testemunharam semelhanças”, disse sobre as confrontações junto a “De Volta para o Futuro” e “Efeito Borboleta”

Andros Silva – Você nasceu no Recife e atualmente reside em Candeias, Jaboatão. Conte-nos como aconteceu essa migração da capital para nossa cidade.

Marcos A. Junior – Tal migração aconteceu unicamente pelo fato de, na época, 1988, ano do meu nascimento, as melhores maternidades estarem concentradas na capital do estado.

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Marcos A. Junior no lançamento de “O Livro do Amor” / Foto: Divulgação 

AS – Candeias te inspira? Há possibilidade de um dia escrever algo com o propósito de homenagear o bairro, ou quem sabe, a cidade do Jaboatão?

MJ – Não é muito o meu foco. Acredito que as minhas inspirações não estejam focalizadas em locais ou na própria natureza. A minha escrita é muito voltada à humanidade. Gosto de falar sobre pessoas, comportamentos e os sentimentos vivos das mesmas, tornando-se difícil ter a cidade como objeto de trabalho.

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AS – Antes de falarmos sobre o seu terceiro e mais recente livro lançado, gostaria que falasse sobre os dois anteriores, “Herbert Flinch – O Manipulador de Sonhos” e “Cem dias na prisão”. Como aconteceu a construção deste dois trabalhos?

errrrrrMJ – As duas produções ocorreram de formas similares, mas muito distintas, digamos assim. Como a maioria dos meus escritos, ambas surgiram de questionamentos básicos que rondaram, e ainda rondam, a minha mente em meados de suas concepções e que talvez importunem a grande maioria das pessoas. Para a primeira obra, a pergunta foi “E se eu pudesse fazer tudo o que quisesse?”. A partir desta “raiz-problema”, desenvolvi um cenário onde as circunstâncias alternassem entre positivismo e negativismo, como a vida de todo e qualquer ser humano, e suas decorrências tornaram-se lógicas. Para a criação do meu segundo trabalho publicado, “Cem Dias Na Prisão”, a indagação geradora foi: “O que será que uma pessoa deve pensar em tal terrível momento?”. Assumo que a base desta obra foi também a minha curiosidade no que se passa na mente de tais indivíduos, culpados dos crimes aos quais foram acusados ou não.

AS – Em “Herbert Flinch – O Manipulador de Sonhos”, o personagem principal tem o dom de voltar no tempo através de seus sonhos e mudar os momentos ruins que aconteceram em sua vida. Comparações com clássicos do cinema, como, “De Volta para o Futuro” e “Efeito Borboleta”, tornam-se inevitáveis. Existe alguma influência? Ou tudo não passa de loucura deste blogueiro? (risos)

MJ – Afirmo que alguns leitores, ao finalizarem a interpretação deste livro, me testemunharam esta semelhança. Confesso que assisti o dueto da segunda obra cinematográfica citada, (Efeito Borboleta) mas como foram lançados em 2004 e 2006, época em que eu nem sonhava investir nesta careira de escritor, não recordo perfeitamente das produções. Acredito que a sua “loucura” não seja tão insana assim, pois a obra tem uma relação forte com a possibilidade central abordada nos filmes. Apesar de a espinha de ambos abordar a mesma questão, a de retorno no tempo, atesto que as decorrências não são referenciadas.

nAS – “O presente de aniversário de 18 anos de Thomaz foi uma inexplicável prisão”, diz a sinopse de “Cem dias na prisão”. O que despertou sua atenção para escrever este livro?

MJ – Primeiramente, a enorme possibilidade de injustiça ocorrente em nosso país. Apesar de ser um “presente”, de grego, a questão de o personagem principal ter acabado de completar 18 anos foi utilizada apenas para dar um tom mais dramático, por toda a questão mental juvenil, e inseri-lo no enredo, visto que a maioridade é um desejo veemente em adolescentes, também pelo fato de tal nova faculdade permitir o encarceramento do indivíduo, o que deixa a situação abordada ainda mais concisa. A prisão tratada como uma dádiva efetiva é apenas um elemento de contextualização. O livro retrata bem a realidade carcerária e todo o cenário mental vivido por um jovem escritor, profissional que costumeiramente tem uma visão muito distinta da grande maioria das pessoas, independentemente da idade, observando-se que cada detalhe e sentimento evidenciado por ele é uma circunstância importantíssima não unicamente para quem está inserido em tal circunstância maléfica, mas também por todos os que vivem “livres” e permanecem presos.

AS – Em “O livro do Amor”, sua terceira obra, publicada pela editora paulista Giostri, algumas histórias foram vivenciadas por você, outras idealizadas ou ouvidas em lugares que passou. Até que ponto a ficção e a realidade se misturam neste novo trabalho?

amorMJ – Acredito que esta é a obra onde mais me desfiz dos elementos fictícios e me foquei unicamente em demonstrar a realidade do sentimento mais originalmente nobre, porém mais vulgarizado dos tempos atuais. É óbvio que em algumas das 64 crônicas foi utilizado uma pequena dose de imaginação, unicamente no modelo criativo, mas o realismo emocional ou sentimentalismo racional, como preferir, é o grande diferencial de tais relatos. Como relatado na indagação, algumas composições foram vivenciadas e outras foram baseadas em circunstâncias vividas por terceiros próximos a mim. As idealizações foram utilizadas unicamente como estratégias para discorrer acerca do cerne tratado no referido texto.

AS – Como surgiu a ideia de publicar o que ouviu em um livro? Como fez para contar o que vivenciou sem expor sua intimidade?

MJ – O ponto crucial para a visualização de uma oportunidade foram as redes sociais. É notório que as pessoas estão cada vez mais “perdidas” em meio às relações humanas. Por vezes, evidenciei diversas publicações denegrindo a moral, se é que posso denomina-la assim, do sentimento originador. Aceito que alguns sentimentos devem ser externados, até como meio de desabafo, pois questões emocionais acabam abarrotando o nosso ânimo, quando não transcorridas da maneira esperada, mas o modo como as pessoas estão utilizando os aplicativos de socialização acaba por denegrir e banalizar uma afeição que é passiva, pois nunca vi o amor, literalmente, machucando ninguém. É o tipo de questão descrita na obra. Alguns conceitos impossíveis acabam passando despercebidos por nós e acabamos por usá-los cegamente, como se realmente fossem verdadeiros. Tendo em vista a indisponibilidade adquirida de muitas pessoas para pensar, visto que, quando dentro do envolvimento, torna-se improvável que se consiga enxergar nitidamente as situações, “O Livro do Amor” está aí para auxiliá-las em diversas circunstâncias distintas. Acerca da intimidade, acredito que não preciso revelar nomes para evidenciar as raízes dos problemas e convicções atestadas neste trabalho.

AS – Onde encontramos os exemplares?

MJ – Como sou um escritor ainda no início da carreira literária, com apenas três livros já publicados, as minhas obras estão sendo comercializadas por algumas livrarias online muito conhecidas e, principalmente, pela loja online da própria Editora Giostri (Link aqui).

aaaaAS – Jaboatão é uma cidade leitora? Os seus escritos tiveram boa aceitação na terrinha dos altivos canaviais?

MJ – Confesso que a repercussão foi pequena nos três eventos de lançamento. Acredito que a realidade literária não seja vivida com tanto ímpeto, por uma grande quantidade de pessoas, em nossa cidade. Não posso confirmar, pois não tenho estudos acerca da situação geral ocorrida. É óbvio que tal cenário não pode ser comparado ao de capitais com populações mais extensas, como São Paulo e Minas Gerais, pois ambas tem uma cultura mais desenvolvida, literariamente falando. Então, a procura não se compara. Outro fator atenuante é o desenvolvimento social, pois as necessidades e principais desejos são outros. Em locais como o que vivemos, com as condições financeiras não tão elevadas e os valores distorcidos como são hoje em dia, principalmente o segundo motivo citado, os livros como meio de entretenimento não são muito comuns. É um ramo que acaba por ser mais valorizado em outros estados, mesmo com a crescente literária que vem ocorrendo nos últimos anos, ainda que lentamente.

AS – Para finalizarmos, deixe uma mensagem para os leitores.

MJ – Olá, leitores. Foi um prazer conversar com vocês através do Blog do Andros. Espero que tenham esclarecido as suas dúvidas e que possam aproveitar o máximo de cada um dos meus escritos. Que eles engrandeçam as suas almas e que os seus corações sejam intensamente regados pelos mesmos sentimentos bons que preenchem o meu quando escrevo algo. Que possamos também criar um vínculo mais próximo, pois esta conexão é importantíssima tanto para mim quanto para vocês. Um abraço, Marcos A. Junior.

Contato: marcos.a.jr.mj@gmail.com

2 comentários

  1. Simplesmente maravilhoso. Sou muito fã do seu trabalho. Para um escritor iniciante você é muito, muito bom. Muito sucesso para ti e que venham muitos livros, meu coração agradece 😊 amo seus escritos. Me emocionei lendo suas 3 obras. A primeira que tive o prazer de ler foi “CEM DIAS NA PRISÃO” e nossaaaaa, foi tenso e emocionante ao mesmo tempo. Depois conhece o seu primeiro livro “HERBERT FLINCH, O manipulador de sonhos” e gostei muito. E agora tive o prazer de ler “O LIVRO DO AMOR”, no início tive uma certa resistência por achar que seria um luvro clichê, que tika que fui, depois de ler dois livros maravilhosos escritos pelo Marcos A. Junior, achar que essa obra seria clichê foi besteira minha, esse livro é um manual, leva a reflexão, é incrível e lindo ao mesmo tempo. Me sinto abençoada por conhecer o trabalho do Marcos, é um excelente escritor. Muito sucesso. O espero em uma Bienal no Rio de Janeiro.

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  2. ‘VEJA E SEJA VISTO’ Essa expressão não seio sua origem, pois quando estava em minha atividade profissional participava intensamente de cursos, seminários sobre minha área profissional que era contabilidade fiscal. Pois ao estudar o campo comercial, o Autor ou empreendedor escritor ( que é o seu caso ) deve antes VER o que está lançado ao seu redor e daí se estabelecer onde você seja visto e chame atenção do publico., Vejo que é isso que você está fazendo iniciando pela mídia escrita, falada e televisada, Prossiga nesse caminho que todo início é árduo mas persista e não desista. Parabéns meu sobrinho perseverança…

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